Lençóis Paulista - A redução do volume de água e o esgoto que é despejado diariamente no rio Lençóis podem ser a causa do problema que resultou na morte de várias espécies de peixes na tarde de anteontem. A afirmação é da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) que esteve no local coletando amostras de água e aguarda para os próximos o resultado dos exames laboratoriais.
Além da Cetesb, a Diretoria Municipal de Meio Ambiente e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Lençóis Paulista também coletaram amostras de água e aguardam laudo com resultados.
Apesar das análises ainda não estarem concluídas, uma das hipóteses que pode ter ocasionado a morte dos peixes é a redução de oxigênio na água. Isso segundo o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Evandro Alberto Dalbem, teria ocorrido em função do volume de água do rio ter diminuído nos últimos dias e a quantidade de esgoto lançado ser a mesma.
“Com menos água, a diluição dos resíduos é dificultada e conseqüentemente a oxigenação é prejudicada “, explica. A mesma opinião foi emitida pela Cetesb em Bauru, ontem à tarde. De acordo com o órgão ambiental, assim como ocorre em vários outros municípios, a redução de água no leito dos rios é comum em época de estiagem e o problema pode se agravar com o esgoto e assoreamento.
Mesmo sem o laudo definitivo, segundo a Cetesb, foi possível diagnosticar durante a coleta de amostras de água, anteontem, que o nível de oxigênio no rio Lençóis estava abaixo do normal e do aceitável para que haja vida na água.
Essa medição por parte da Cetesb foi feita no trecho onde os peixes apareceram agonizando ou já mortos, que fica alguns metros abaixo do ponto de captação pelo Saae, nas proximidades das vilas Repke e Maria Cristina. Acima do local onde é feita a captação de água que abastece 70% da cidade, o nível de oxigenação estava normal, segundo a Cetesb.
De acordo com o diretor do Saae, o esgoto doméstico e industrial são lançados no rio Lençóis somente abaixo do ponto de captação de água e não está descartada também a hipótese de algum produto tóxico ter sido lançado nas águas e causado a morte dos peixes.
O problema do esgoto doméstico e industrial que hoje é lançado sem tratamento no rio Lençóis é uma questão que vem sendo estudada e trabalhada, segundo o prefeito José Antônio Marise (PSDB).
Dez dos 20 quilômetro necessários de emissários que fazem parte do processo de instalação de uma estação de tratamento de esgoto no município, segundo Marise, já estão construídos. A expectativa, de acordo com o prefeito, é que até o final de sua administração a estação já esteja funcionando.