O nível do rio Batalha voltou ao normal, após as chuvas que caíram em Bauru entre terça-feira à noite e ontem pela manhã. A recuperação do rio permitiu que as duas bombas fossem mantidas ligadas o dia todo e a terceira, que estava fora de operação desde o último dia 7, fosse reativada na madrugada.
O reflexo foi imediato: ontem o Departamento de Água e Esgoto (DAE) não recebeu nenhuma reclamação de falta d’ água nem solicitação de caminhão-pipa, informa Sandra Faria, assessora de imprensa da autarquia. Locais como a Vila Cardia e Jardim América, onde o abastecimento estava prejudicado há dias, voltaram a receber água normalmente.
Paulo Roberto Boleti, que mora na rua Rio Grande no Norte e vinha enfrentando falta d’água há uma semana, mudou seus planos com a normalização do serviço. “Eu estava pensando em comprar uma caixa para colocar no chão, porque a água chegava sem pressão e não subia na de cima. Agora, por enquanto, desisti da compraâ€, conta.
Sem água em casa, Boleti relata que precisou tomar banho na casa de seu filho, no Núcleo Bauru 1, várias vezes. â€œÉ muito difícil ficar sem água. Eu estava dependendo do caminhão-pipa, mas não podia usar água à vontade para a caixa não esvaziar logo. Mas agora acho que voltou ao normalâ€, diz, mais tranqüilo.
Maria Célia Cardoso, que mora no Jardim América, outro bairro bastante prejudicado, acha que precisará de vários dias para pôr a casa em ordem. “Tenho louça e roupa acumuladas para lavar e limpeza de casa para fazer. Sem água, não faço serviços de casa há dias. Agora, vou passar o final de semana fazendo limpezaâ€, afirma.
Apesar do Batalha ter voltado ao seu nível normal, que é de 50 centímetros - chegou a cair para 11 centímetros no dia mais crítico -, o DAE teme aumento no consumo de água, o que poderia causar nova crise no abastecimento. “Continuamos pedindo economia à população. Com a elevação da temperatura, se não chover logo outra vez, o nível do rio pode voltar a cairâ€, alerta Sandra.
Chuva
A chuva acumulada nas últimas 24 horas foi de 8,4 milímetros, revela a medição feita ontem pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). Entre terça-feira à noite e quarta-feira pela manhã, o acumulado foi de 22,1 centímetros.
Apesar do Batalha ter voltado ao seu nível normal, outubro fecha o mês com déficit de chuva. A média pluviométrica do mês é de 150 milímetros. A previsão do IPMet para hoje é de nebulosidade variável, sem chuvas.
A temperatura máxima deve ficar entre 28 e 30 graus - a mais alta ontem foi de 28,8 graus. Para amanhã e domingo, não há previsão de chuva e as temperaturas estarão em elevação. A tendência do IPMet para a segunda-feira é de chuvas e trovoadas, devido à chegada de uma frente fria no Estado de São Paulo.
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Vazamento
Sandra Faria, assessora do DAE, aproveita para esclarecer que a água que vazou da quadra 13 da avenida Getúlio Vargas, onde há um poço do DAE, anteontem à tarde, não era potável e que por isso estava à disposição da Secretaria do Meio Ambiente (Semma) para regar plantas.
Na edição de ontem do JC, um vizinho ao poço e que estava sem água em casa, denunciou que caminhões-pipa da Semma estavam sendo abastecidos no local. “Essa água estava reservada em uma caixa desativada há dois anos. Como era imprópria para consumo, o DAE a colocou à disposição da Semma para molhar jardins; dos bombeiros, para apagar fogo, e da Secretaria de Obrasâ€, afirma.
Anteontem, o DAE alegou que o vazamento ocorreu por causa de um problema na bomba no poço, mas ontem retificou a informação. “O que de fato ocorreu é que o registro dessa caixa desativada não ficou bem fechado, causando vazamentoâ€, completa Sandra.