Regional

Prefeito se recusa a pagar água à Sabesp

Da Redação
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Agudos - Desde que assumiu a Prefeitura de Agudos em janeiro de 2001 o prefeito José Carlos Octaviani (PMDB) não vem pagando as contas relativas ao consumo de água tanto dos prédios públicos como do seu endereço residencial. A medida, afirma Octaviani, é uma forma de protestar contra o que ele chama de “cobrança abusiva”.

E diferente do que ocorre com outros consumidores da cidade que também deixam de pagar a conta e têm o abastecimento cortado, o prefeito não vem sofrendo com falta de água tanto em sua residência como nos prédios públicos. â€œÉ até um desafio. Eu quero ver se eles têm coragem de cortar a água”.

O gerente da unidade da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em Agudos, Jorge Bocardo, disse que não poderia falar sobre esse assunto ontem porque a questão ainda vem sendo analisada pela diretoria da empresa.

A decisão de não pagar as contas, segundo Octaviani, tem outros motivos além do preço que ele considera abusivo. “A taxa de esgoto é cobrada e no entanto não temos o serviço em funcionamento satisfatório no município”, disse o prefeito acrescentando que freqüentemente recebe moradores em seu gabinete pedindo ajuda e orientação sobre problemas com o abastecimento.

Para esses consumidores que o procuram, Octaviani diz que tem orientado o não-pagamento das contas, como faz ele. “Como posso dizer para eles pagarem se eu considero o serviço péssimo?”, indaga.

Em uma das respostas que o gerente da unidade da Sabesp em Agudos concordou em dar à reportagem, ontem, a informação foi a de que a média mensal de cortes efetuados no município, por falta de pagamento, gira em torno de 100. A cidade tem, segundo ele, aproximadamente nove mil ligações de água.

De acordo com Bocardo, o corte geralmente é feito pelo não-pagamento da conta referente ao consumo e a empresa ainda oferece a opção de parcelamento da dívida e tenta negociar ao máximo antes de determinar o corte.

O prefeito, por sua vez, faz questão de afirmar que está descontente com o serviço da Sabesp na cidade e que continua firme no seu propósito de rescindir ou anular o contrato de concessão do serviço à empresa, firmado na administração anterior à sua.

Octaviani disse que através da assessoria jurídica da prefeitura já encaminhou duas notificações à Sabesp solicitando informações sobre o cumprimento das cláusulas contratuais e até ontem não havia recebido nenhuma resposta. â€œÉ inadmissível que eles não nos dêm as explicações”, esbravejou.

Pesquisando em outras cidades onde a Sabesp não atua, como Lençóis Paulista e Bauru, por exemplo, Octaviani disse que certificou-se que o preço cobrado pela água em Agudos chega a ser até três vezes mais alto que nos outros municípios. “E olha que Lençóis, com recursos próprios já está a caminho do processo de tratamento de esgoto”.

A intenção e o ideal para Agudos, segundo o prefeito Octaviani, é que o serviço de abastecimento de água seja retomado pelo município o quanto antes. Sobre o tratamento de esgoto em Agudos, o gerente da unidade da Sabesp na cidade disse que já existe um projeto para a futura implantação do sistema no município.

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Religando na marra

Ao chegar em sua casa ontem, depois do trabalho, o prefeito Carlos Octaviani disse que duas senhoras o esperavam se lamentando sobre o corte de água numa residência da rua Severino Gaburo, na Vila Professor Simões, onde mora uma paraplégica.

O prefeito prometeu providências enérgicas para hoje, caso a Sabesp não religue a água da residência onde mora a deficiente física. “Isso é inadmissível. Se a Sabesp não providenciar o religamento vou mandar funcionários municipais lá fazerem o serviço. Pode soar como uma medida ditatorial e truculenta mas a meu ver necessária”.

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