Tribuna do Leitor

Drummond e o Brasil


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No mês de outubro foi comemorado o centenário do nascimento do grande poeta Carlos Drummond. Drummond foi um poeta rebelde. Registrou em sua poesia os costumes, aspectos políticos e sociais de sua época. Foi ligado às coisas do Brasil e do mundo, tanto que escreveu contra a guerra e o fascismo, na Itália, a ditadura de Franco, na Espanha; participou do movimento pela anistia e contra perseguição aos comunistas no período Vargas e pela democratização no país, assumia em 1945 uma posição anticapitalista. O poeta nunca se filiou a nenhum partido político, tinha resistência e critérios ao partidarismo, mas foi um intelectual político, com laços estreitos com os comunistas e setores mais avançados da sociedade brasileira. No período do regime militar, fez da poesia a sua arma de protesto, depois entrando numa fase de desânimo com os temas políticos e sociais. Em um de seus últimos livros, “Corpo”, de 1984, escreveu um longo e profético poema – “ Favelório Nacional” – onde dizia na sua conclusão – “Um dia, possivelmente madrugada de trovões virá tudo de roldão sobre nossas ultra , semi ou nada civilizadas cabeças espectadoras e as classes se unirão entre os escombros” O poeta Drummond faleceu em 17 de agosto de 1987, talvez ainda sonhando com um Brasil que pudesse ser um “território de homens livres” e uma “pátria de todos os brasileiros”. (Maria José Majô Jandreice - RG 6028582)

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