O meio escolhido pelos acusados para atrair as vítimas foi o de pedir carona trajando fardas do Exército, o que daria uma espécie de credibilidade, segundo a polícia.
A primeira vítima foi o médico uruguaio Alberto Neri Fernandez da Costa Porto, que morava em Bauru. No dia 19 de outubro ele participou de um seminário sobre ética na Universidade do Sagrado Coração até as 16h e depois saiu em viagem rumo a Votuporanga. No trevo de Promissão, foi abordado pelos integrantes do Exército, que pediam carona, e desapareceu.
O corpo do médico foi encontrado no dia 2 de novembro em um canavial no bairro rural de Gurupá, entre as cidades de Promissão e Avanhandava.
Já o dentista Sílvio Luiz Minarelli, que era presidente da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD) Regional de Jaú, saiu de Jaú no dia 30 de outubro rumo a cidade de Rio Preto, antes porém passou em Lins, onde esteve com amigos.
Como o dentista não chegou em Rio Preto e o contato com ele não foi mais possível, os amigos de Lins registraram seu desaparecimento naquela cidade. A família do dentista procurou a Polícia Civil de Jaú que iniciou as investigações e levantou dados importantes que foram passados para as demais delegacias.
Foi a morte do dentista, aliás, que possibilitou o esclarecimento dos crimes. Flávio Roberto da Silva efetuou um saque com o cartão do dentista na agência do Banco do Brasil de Lins e foi filmado pela microcâmera. Através do filme, ele foi identificado. Seu colega, Antônio Marcos, foi o primeiro a ser detido pela polícia.
Segundo o delegado Artur Manoel Nogueira Franco, o cabo contou que os dois crimes foram premeditados. “Eles planejaram os crimes. Emprestaram uma moto e antecipadamente escolheram o local para onde as vítimas seriam levadas.â€
Antonio Marcos disse para a polícia que a escolha do local levava em consideração a distância da comunidade. “Eles escolhiam um local ermo, longe de lagoas ou rios, onde pudesse ter alguém, diz o delegado.
Segundo o delegado Artur Franco, no caso do médico, a vítima foi levada até o local do crime, onde entregou R$ 30,00 que tinha no bolso. O médico não portava cartões de crédito, magnético ou talões de cheques. Mesmo assim, segundo Antonio Marcos, ele foi morto porque gritou na tentativa de chamar a atenção de pessoas.