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Agronegócio é a saída, diz Meirelles

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

“Só o agronegócio tem a grande força de sustentar a balança comercial brasileira”, afirma Fábio Meirelles que ocupa a presidência do Conselho Deliberativo do Sebrae; presidência da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp); vice-presidência da Confederação Nacional de Agricultura (CNA); além da presidência do Conselho Administrativo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SP).

Ele esteve em Bauru na última sexta-feira abrindo oficialmente a Grand Expotécnica 2002, na Grand Expo Bauru, no Recinto Mello Moraes.

O líder rural ressaltou o papel do agronegócio no superávit da balança comercial em 2001 e aponta que a tendência para este ano é que os índices se repitam ou superem as expectativas. Meirelles é taxativo quando é citada a crise econômica atual.

“Eu diria que a crise que nós estamos sofrendo, considero uma crise bastante especulativa, além do mais o risco-Brasil não poderia ser o que está aí nos índices pelo grande potencial e o grande desenvolvimento da economia agrícola, particularmente do agronegócio.”

Segundo ele, agronegócio evoluiu de tal maneira que a cada ano pode se verificar no País um ganho de produtividade, em determinadas atividades agrícolas diminuem-se hectares de plantio, mas colhe-se mais porque existe técnica gerando mais produtividade, maior qualidade e rentabilidade.

Meirelles revela que existe hoje um instrumento de conhecimento muito grande do setor produtivo e o agronegócio não tem apenas a importância da qualidade e da produtividade, mas da transformação de cadeias produtivas.

“Eu transformo produto, transformando-os em outros subprodutos ou produtos de qualidade”, diz. E isso, segundo Meirelles, diminui também o custo porque ao invés dele ser vendido em toneladas ou sacas, passa a ser comercializado em quilos, em gramas em pacotes.

De acordo com Meirelles, o agronegócio acaba gerando renda e com isto melhora todo o sistema produtivo e de abastecimento. “Dá mais renda, melhor qualidade e menor custo, ele agrega valores”, diz acrescentando que o agronegócio “não é de hoje, ele surgiu ao longo dos anos desde a época do café solúvel, há quase 30 anos, só que foi aprimorando o sistema.”

Dessa forma, mesmo com uma exposição adjetivada o líder rural, diz que o agronegócio continua na faixa de crescimento e que as políticas que serão aplicadas daqui para frente são facilitar o mercado.

Meirelles explica que é necessário haver uma política de comercialização capaz de evitar políticas fiscais, tributárias e até certas práticas que podem gerar até conflito na atividade para os produtores possam ter renda, vender a preço competitivo e continuar alcançando o mercado interno.

Novo governo

O líder rural não esconde seu entusiasmo pelo novo governo petista que assumiu a presidência da República e acredita que a ala radical do Movimento Sem Terra (MST) não terá atitudes que prejudiquem as ações contra a fome.

Meirelles ressalta que o atual presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, disse em seu primeiro pronunciamento, que será um homem feliz quando disser que não tem mais fome no Brasil.

“Então, ele (Lula) não pode sequer pensar ao contrário. Ele tem que continuar a fortalecer a política agrícola, a produção, tirar custos elevados, fazer uma política fiscal justa e uma política de créditos suportável”, disse Meirelles.

Na opinião do presidente do Senar, a política de seguro para a produção de país tropical tem que ser revista.

Primeiro mundo

Fábio Meirelles declara que hoje a agricultura de São Paulo é de primeiro mundo e que a região de Bauru já incorporou um sistema de desenvolvimento desde o início do programa do álcool.

“Você já encontra canaviais integrando a região, você verifica que o café continua ainda nesta região. Você pode verificar outras atividades que o Serviço Agroindustrial Integrado está criando”.

Para Meirelles, o que precisa no fortalecimento regional é sempre se trabalhar sobre a capacidade vocacional da terra e fazer políticas de sustentabilidade. “O agronegócio é um gerador de rentabilidade que tem que ser ampliado.”

A região de Bauru, segundo o ruralista, tem um potencial que permite explorar outras inúmeras atividades agrícolas, mas não sem as políticas necessárias.

Para Meirelles, o agricultor deve valer-se de conhecimento e saber quais as políticas e orientações procurando o Sindicato Rural, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que devem ter uma política bem clara de apoio.

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