Regional

Orquestra leva música a bairros em Jaú

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Desde o ano passado, a Secretaria Municipal de Cultura de Jaú vem promovendo eventos musicais que ficaram conhecidos como Orquestra Itinerante. Duas vezes por mês, a Orquestra Experimental Fábio Lopes percorre os bairros da cidade levando boa música aos moradores.

A iniciativa foi do próprio Fábio Lopes. Ele procurou a secretaria e manifestou o desejo de fazer um trabalho parecido com o que é feito hoje pela Orquestra Véritas. A única diferença é que o grupo jauense faz apresentações apenas nos bairros e não nas cidades vizinhas, como faz a Véritas.

Durante os seis primeiros meses do projeto, todas as exibições da orquestra experimental foram feitas gratuitamente. Cada semana, o grupo se apresentava em um bairro diferente da cidade e não ganhava nada por isso. Na época, a secretaria argumentou que não tinha verba disponível para custear o projeto.

Este ano, no entanto, o dinheiro apareceu e as apresentações passaram a ser remuneradas. Nem por isso, os shows deixaram de ser gratuitos. A orquestra passou a se apresentar a cada 15 dias e não mais semanalmente. E todas as exibições são abertas ao público.

Pelas contas de Lopes, o projeto já atendeu cerca de 25 bairros de Jaú. Ao contrário da orquestra formada pelos alunos do Projeto Guri, a de Fábio Lopes apresenta um estilo mais parecido com as big bands dos anos 50 e 60.

Compõem a orquestra cinco saxofones, quatro trompetes, três trombones, guitarra, baixo, bateria, percussão e um cantor. Ao todo, são 17 músicos: 11 de Jaú, três de Itapuí e três de Bocaina.

Segundo Lopes, a orquestra foi batizada com seu nome porque os músicos quiseram lhe prestar uma homenagem. Ele conta que no início toda a despesa com a orquestra era custeada por ele. Até mesmo o transporte dos integrantes era feito por ele.

Mesmo depois que passaram a receber pelas apresentações, Lopes disse que a maioria dos músicos da orquestra experimental exerce outras profissões. Segundo ele, somente dois integrantes conseguem viver da música. Os demais trabalham como mecânico, escriturário, bancário e até na lavoura.

Depois de muita luta, o grupo conseguiu gravar o primeiro CD. A festa de lançamento foi feita no teatro municipal Elza Munerato, no último dia 31. Todas as dez músicas que compõem o CD foram gravadas em Jaú, por uma gravadora independente, e incluem os mais variados estilos musicais, como mambo, jazz e rock.

O disco levou um mês e meio para ficar pronto e consumiu cerca de 70 horas de gravação. No fim, sobraram 45 minutos de música. Na opinião de Lopes, o resultado pode ser considerado satisfatório. A tiragem inicial será de apenas 500 CDs. Por enquanto, ele será vendido apenas na Escola Livre de Música (tel. 14-621-8209), em Jaú.

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Fila de espera

De acordo com o músico Fábio Lopes, existe fila de espera para os cursos mais populares, como violão, bateria, saxofone e coral. O número de alunos, segundo ele, varia de acordo com o número de instrumentos.

Por exemplo, com dez violões é possível dar aula para dez alunos. São três aulas por dia, dois dias por semana, e cada aula tem uma hora de duração. O coral, por não necessitar de instrumento, é o que mais oferece vagas: 60 ao todo.

No pólo de Jaú, são oito professores e um regente. Além de responsável pelos arranjos e regência da orquestra, Lopes responde ainda pela camerata de violões.

Do grupo de 250 alunos, são escolhidos os melhores de cada instrumento para integrar a orquestra e o coral, que reúnem no repertório o estilo erudito e popular. “Tocamos tanto Beethoven e Mozart, como Luiz Gonzaga e Tom Jobim”, explicou o regente.

Segundo Lopes, Jaú sempre teve tradição de formar bons músicos. Ele lembra que na década de 50, a cidade possuía uma das principais orquestras de baile do Estado.

Com o Projeto Guri, Lopes acredita que essa tradição poderá ser retomada. Além disso, o fato de crianças estarem à frente de uma orquestra sinfônica toca as pessoas, segundo ele. “Muitas vezes, um erro na execução das músicas passa despercebido porque é emocionante ver crianças de 10 anos tocando”, disse.

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