Ser

Uma viagem pela paz mundial

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 7 min

“Se você gosta, você não briga, mas para gostar você precisa conhecer. Se você criar laços afetivos entre jovens do mundo inteiro você vai aumentar a possibilidade de não ter briga. A força mais poderosa na promoção da paz e compreensão mundial é o contato com culturas diferentes. O mundo torna-se um lugar menor e mais aconchegante quando aprendemos que todas as pessoas, independentemente de sua nacionalidade, têm os mesmos desejos básicos: meio ambiente seguro e confortável que permita uma vida rica e gratificante para si próprio e suas famílias”, afirma o oficial de intercâmbio Francisco Tadeu Ferro.

Ele justifica que, com esse objetivo, foi idealizado o Programa de Intercâmbio de Jovens do Rotary, que oferece a oportunidade a adolescentes partir de 16 anos de conhecer outros países, seus habitantes e a cultura local, criando laços de afetividade entre as famílias anfitriãs, plantando, desta forma, sementes de compreensão internacional.

Neste sentido, comunidades do mundo todo podem beneficiar-se através do programa de Intercâmbio de Jovens criado para formar embaixadores da paz e da boa vontade.

“Não é um curso de inglês no Exterior. É uma vivência preparada de tal forma que o jovem receba e leve o maior número de informações possível”, revela Ferro. Ele cita o caso de uma garota bauruense que está aprendendo a tocar pandeiro para ir à Austrália.

“Lá fora ainda existe muito esse conceito de que o Brasil se resume na Amazônia. E isto é muito sério. Por isso, os intercambiários viajam muito bem preparados para mostrar o que é o País”, comenta a também oficial de intercâmbio Rachel Paleari.

Atualmente, existem 30 estrangeiros no distrito a que Bauru pertence, vindos da Tailândia, Índia, Estados Unidos, Austrália, Inglaterra, Alemanha e México. No ano passado foram oito candidatos que cruzaram as fronteiras. Eles também passam por um trabalho de integração das várias filosofias destes países. É por isso que os participantes passam por um rigoroso processo seletivo que identifica as condições do jovem em fazer um bom intercâmbio.

“Só tem um jeito da gente aumentar o número de vagas lá fora: é mandando gente boa e recebendo bem, de forma carinhosa, segura. Se isso acontece nós sempre vamos ter candidatos querendo vir para o Brasil, para a nossa região. À medida em que isso acontece, abrem-se vagas nos outros países para os nossos jovens”, afirma Ferro. “Tudo depende dessa harmonia”, complementa Rachel

O candidato se inscreve agora e viaja em agosto de 2004, passa pelo processo seletivo que envolve prova de português, inglês, conhecimentos, gerais e as principais tarefas rotárias no próximo ano e depois passa sendo treinado.

Para o próximo grupo de intercambiários existe uma perspectiva de 50 vagas. A escolha do país a ser conhecido é feita através da colocação no processo seletivo. Os primeiros colocados escolhem primeiro.

“Normalmente, existe uma pessoa que se responsabiliza integralmente pelo jovem em toda a sua temporada fora de casa. Se ele vai viajar pelo período de um ano pode ficar na casa de até quatro famílias. Tudo vai depender da adaptação do jovem e da família. Há casos em que todos se dão tão bem que acabam ficando o ano todo juntos. E a família não quer deixar vir embora.”

Os oficiais de intercâmbio explicam que as duas experiências são muito válidas. Apesar da opção de múltiplas famílias abrir o leque de relacionamento e vir de encontro às propostas de disseminar a paz.

A própria Rachel afirma que já recebeu vários “filhos” e muitos deles voltaram para passear e trouxeram amigos.

O segredo da formação dessa família, segundo ela, é o jovem estar aberto ao desafio de vivência e a família não mudar suas regras de vida porque vai receber um estrangeiro.

“Eles não serão visitas. E sim como nossos filhos. Se tomamos café com leite, pão e manteiga pela manhã, vamos continuar fazendo isto da mesma maneira. Com o tempo, a gente percebe que isso é um processo muito rico e muito gratificante.”

Os estudantes aprendem, em primeira mão, sobre os desafios enfrentados e as realizações de pessoas de outros países, amadurecem como indivíduos, ao mesmo tempo em que ampliam sua visão de mundo.

• Serviço

• O Rotary International em Bauru oferece dois tipos de Programas de Intercâmbio de Jovens:

• Longa Duração (1 ano) para jovens nascidos após 31/12/85 que estejam freqüentando em 2002 pelo menos a 8.ª série do Ensino Fundamental.

• Programa de Curta Duração: Jovens nascidos após 31/12/85 que estejam freqüentando em 2002 pelo menos a 1.ª série do Ensino Médio.

• Todas as informações sobre cada programa estão à disposição nos Rotary Clubs da cidade com os administradores locais do Programa.

• Rotary Club Bauru: Francisco, telefone (14) 234-2226, Rotary Club Bauru Aeroporto: Rachel, telefone (14) 223-0700 e Rotary Club Bauru Norte: Marcelo, telefone (14) 239-1010, ramal 227.

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Vaga gratuita

Existem diversas modalidades de intercâmbios oferecidas pelo Rotary. A mais comum é a que o intercambiário arca com a passagem aérea, o seguro e as taxas de embarque e desembarque. Em contrapartida sua estada e estudos são custeados pelo clube e pela família que o acolhe, recebendo inclusive uma mesada.

Mas existe uma única vaga por distrito que é totalmente patrocinada pelo Rotary. Este ano, a intenção dos clubes de Bauru é promover um concurso entre as escolas públicas de ensino médio para selecionar quem será o representante da cidade que concorrerá com os representantes das outras cidades que compõem o distrito à vaga gratuita.

O processo está em negociação com a Diretoria Regional de Ensino.

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Aprendizado de todos

Como estudante de intercâmbio, o jovem passará um ano morando com uma família anfitriã em país do Exterior onde aprenderá novo idioma, uma diferente maneira de viver e muito sobre ele mesmo. Mas há mais. Enquanto o jovem está ocupado com estes aprendizados, as pessoas que ele encontrar também estarão aprendendo - sobre seu país, sua cultura e suas idéias.

Deste modo, os participantes se tornam jovens embaixadores de sua cultura e da compreensão mundial, ajudando a aproximar os cidadãos do mundo, fazendo novos amigos durante esse processo.

Anualmente, milhares de jovens participam do Programa Intercâmbio e vivem uma experiência maravilhosa que muda suas vidas. A experiência também é gratificante para as famílias anfitriãs. Elas travam conhecimentos com jovens de todas as partes do planeta, que estão nesse processo de aquisição de nova visão do mundo, ampliam seus horizontes e contribuem pessoalmente para a compreensão mundial.

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Experiências

“Nunca havíamos pensado na possibilidade de receber um intercambista em nossa casa; só a partir do interesse de nossa filha Laura em participar de um programa de intercâmbios é que começamos a pensar no assunto. Confesso que, num primeiro momento, a idéia não nos foi muito agradável: como poderíamos conviver durante meses com uma pessoa com hábitos, cultura, idéias e idioma tão diferentes dentro de nossa casa?

Então, após participarmos de algumas reuniões do Rotary, com a presença e testemunhos de estudantes estrangeiros, suas famílias brasileiras e estudantes que já haviam ido pra outros países, resolvemos experimentar, colocando-nos à disposição para receber um estudante, antes mesmo da Laura embarcar pois, assim, ela também poderia vivenciar essa experiência, sentindo o que é morar fora de casa e ter que, principalmente, ser dona de seu nariz e se responsabilizar por isso!

Então, eis que chega a Júlia e sua enorme prancha de surf: uma canadense de 17 anos, loira, olhos azuis, muito linda, extremamente simpática e comunicativa e muito comilona! Logo de cara, fomos cativados por sua simpatia e independência. Queria conhecer tudo e todos e, no tempo em que ficou em casa, não nos apresentou nenhum tipo de problema. Conviveu muito bem com a Laura e o Ricardo e fez muitos amigos em Bauru. Ela ficou conosco por 40 dias e, ao final, concluímos que a experiência foi superpositiva pra todos nós. Já somos candidatos a receber novos estudantes.” (Denise Berriel Joaquim Taveira - Economiária, mãe de Laura que se prepara para viajar em Janeiro para a Austrália e “mãe” por 40 dias de Júlia, a surfista canadense)

“O Programa de Intercâmbio é a melhor coisa que um adolescente pode experimentar. Durante o intercâmbio, ao mesmo tempo que o jovem aprende a conviver com as diferenças do mundo e cresce em responsabilidade e caráter, ele se diverte e coleciona as melhores memórias que um ano pode oferecer. Um ano fora de seu país pode fazer com que o jovem passe a vê-lo com mais profundidade e amá-lo como uma extensão de sua família.

O intercâmbio é aberto a todo jovem que queira assumir um compromisso com a representação da imagem de seu país, independente de sua classe social.

Os argumentos, que não me faltam hoje para enaltecer o programa de intercâmbio, são poucos comparados com a certeza que só a experiência traz. Procure você também conhecer o Intercâmbio de Jovens do Rotary Internacional”. (Octávio Santos Antunes - Bolsista do Programa de Intercâmbio do Rotary Internacional no biênio 2000-2001 em Circleville, Ohio, EUA)

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