Foi bela a festa das eleições brasileiras! Não há como não se entusiasmar com o povo nas ruas, manifestando sua vontade, suas escolhas, o rumo que acha que seu Estado e o País devem seguir. O ato maior da cidadania e a essência da democracia. Todos são iguais na hora de escolher.
Agradeço aos mais de 12 milhões de eleitores que acreditaram em nossos propósitos, aprovaram o que vimos fazendo frente ao governo do Estado de São Paulo e nos deram o aval para levar adiante nosso programa. Foi uma votação histórica a que obtivemos e tenho consciência da dimensão da responsabilidade que nos foi atribuída.
Dos 645 municípios paulistas, vencemos em 561, com o apoio efetivo dos prefeitos. Foi o maior arco de alianças da história do Estado de São Paulo. Não obtivemos o apoio do PT porque ele foi o nosso adversário no segundo turno. Se o adversário fosse outro, eu não tenho dúvidas de que grande parte do Partido dos Trabalhadores estaria conosco. Uma nova forma de fazer política se manifesta no Brasil. Acho que essa é a nova visão: sair de uma política sectária para uma política plural, até porque a sociedade é plural.
Não há terceiro turno. O novo governo, em São Paulo, já começou. E é importante para o País que os embates, normais em um período eleitoral, tenham terminado, pois agora é tempo de construção, de trabalho. Muito trabalho e dedicação, dentro das diretrizes que nós estabelecemos para esse segundo mandato.
O brasão do Estado de São Paulo traz inscrito, em latim, o lema: Pelo Brasil, faça-se o máximoâ€. Não poderia haver melhor forma para expressar minha disposição frente ao governo paulista, neste mandato que o povo me conferiu. Ajudar o País é uma missão que se impõe.
No plano federal, o PSDB, meu partido, foi colocado na oposição. Ele tem a meu ver um grande papel a desempenhar, o de fiscalizador. Não uma “fiscalização raivosa†ou contra tudo o que for proposto. O grande aprimoramento do processo democrático, o grande avanço que se pode dar na consolidação da democracia brasileira, pressupõe fiscalizar de forma positiva, mostrando novos ângulos de um mesmo problema, enfocando de maneira diferente determinadas questões, de forma a contribuir para o aperfeiçoamento da tarefa pública, da política como busca do bem comum, e ajudando naquilo que o País precisa. Não são posturas conflitantes, pelo contrário. Esse é o aprimoramento do processo democrático.
O Brasil precisa de todos nós. Não é possível governar de forma isolada, nem no plano municipal, estadual, nem federal. Vamos fazer o máximo possível de parcerias para beneficiar a população. Eu acredito na descentralização. Um País de dimensões continentais como o nosso, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, tem que ser descentralizado, e o caminho tem que ser o da parceria. São Paulo vai participar do esforço nacional e vai ajudar nessas conquistas.
A nova política é exatamente isso: colocar o interesse público sempre em primeiro lugar. Este é o compromisso que assumi e que vou cumprir. O Estado de São Paulo não vai virar as costas para o Brasil. Vamos ajudar o País a crescer, a se desenvolver, gerar emprego e renda. Isso é importante porque algumas mudanças em nível federal demandam alterações constitucionais, que exigem 3/5 de votos, ou seja, maioria qualificada em dois turnos, o que ninguém tem. Nenhum partido. Nem o Serra teria se tivesse sido eleito presidente. Isso demanda um entendimento mais amplo, um entendimento maior, pelo qual eu e o meu partido vamos trabalhar. Aquilo que for de interesse do País, nós vamos ajudar a concretizar. Já estamos trabalhando com este objetivo. O Brasil e a democracia saem fortalecidos deste processo. (O autor, Geraldo Alckmin, é governador de São Paulo)