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P1 de Avaré recebe líderes de rebelião

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Avaré - Cinco dos principais líderes da rebelião de Franco da Rocha, encerrada ontem, foram transferidos ontem para a Penitenciária 1 de Avaré. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública.

O grupo pertence à facção Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (CRBC). Na noite de anteontem, eles renderam três agentes penitenciários e atacaram rivais da Seita Satânica.

De acordo com informações da Secretaria da Administração Penitenciária, integrantes da seita foram mortos a estiletadas. Um deles teria sido decapitado.

A assessoria de imprensa da secretaria não informou o nome dos líderes da rebelião que foram transferidos para Avaré.

Ela se limitou a informar apenas que os detentos não são considerados de alta periculosidade. O tipo de crime que eles cometeram também não foi divulgado pela assessoria.

Os líderes do motim ficarão agora em celas individuais. Por esse motivo, o diretor de disciplina substituto, Jarbas Bastos, da Penitenciária 1 de Avaré, não vê na transferência um motivo para preocupação.

Segundo ele, desde a megarrebelião promovida pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em fevereiro do ano passado, a penitenciária (considerada de segurança máxima) passou para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

O regime faz parte de uma série de medidas tomadas pelo governo paulista para inibir a ação de organizações criminosas nos presídios do Estado.

O RDD foi uma resposta do governo à megarrebelião, que atingiu simultaneamente 29 unidades prisionais de São Paulo, com um saldo de 17 mortos.

O objetivo principal da medida foi punir os líderes do movimento e inibir novas tentativas de demonstração de força e poder dos criminosos.

Entre as restrições impostas estão a redução do banho de sol para uma hora por dia; duas horas semanais de visita; contato com o mundo exterior somente por meio de correspondência escrita e leitura (nada de TV ou rádio); recebimento de jumbo (alimentos, produtos de higiene e roupas) apenas uma vez por mês; proibição da visita íntima, entre outros itens.

Segundo Bastos, depois da mudança, a penitenciária de Avaré passou a ter capacidade para 500 presos. Ou seja, 352 vagas a menos do que existia antes da implantação do novo regime. O presídio tem hoje, segundo o diretor substituto, apenas 360 vagas preenchidas.

Pelo local já passaram presos famosos, como o cirurgião plástico Hosmany Ramos, que teve sua vida transformada em livro, por uma editora francesa.

Outros dois famosos que passaram pela cidade foi Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho, e José Márcio Felício, o Geleião, dois dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Penitenciária foi berço de facção criminosa

Avaré - A rebelião em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, começou por volta das 18h30 de anteontem e terminou por volta das 10h30 de ontem. O motim deixou dez presos mortos.

Os líderes da rebelião, transferidos para Avaré, pertencem à facção Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (CRBC).

A organização é uma das quatro grandes facções criminosas, que atuam em presídios paulistas. As outras três são o Primeiro Comando da Capital (PCC), Conselho Democrático da Liberdade (CDL) e Seita Satânica, cujos integrantes foram mortos em Franco da Rocha.

A mais forte e antiga é o PCC. A facção foi a responsável pela megarrebelião ocorrida no ano passado em 29 presídios do Estado, em 22 cidades diferentes.

De acordo com a pesquisadora Ana Cristina dos Santos, especialista em Direito Penal, o PCC tem dois grandes rivais no sistema carcerário: o CDL e o CRBC. O primeiro nasceu dentro da Penitenciária 1 de Avaré, em 1996. O segundo teve origem em Guarulhos, em 1998. Ambos, segundo Ana Cristina, convivem pacificamente nos presídios.

A última das facções, a Seita Satânica, convive com as demais, embora o PCC tenha matado alguns de seus integrantes nos últimos meses - dez deles na Penitenciária 1 de Franco da Rocha, no motim do fim de semana.

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