A forte chuva que caiu em Bauru ontem à tarde, a primeira do final da primavera, período do ano que começa a aumentar a probabilidade de tempestade, durou cerca de duas horas e meia e causou inundações e transtornos. O problema mais grave registrado pela Defesa Civil foi casas invadidas por enxurrada.
O bairro mais afetado foi o Jardim Andorfato, na região noroeste, segundo Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil.
A chuva começou por volta das 15h30 e em alguns pontos da cidade foi intensa, o equivalente a 67 litros de água por metro quadrado, segundo Brito. Aos poucos, toda a cidade foi atingida pela forte precipitação. Das 9h às 23h, o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) registrou a queda de 67 milímetros de chuva.
Os pontos tradicionalmente críticos, as avenidas Alfredo Maia e Getúlio Vargas, o viaduto da avenida Rodrigues Alves sobre a rodovia Marechal Rondon e a baixada da avenida Cruzeiro do Sul ficaram alagadas.
Na avenida Alfredo Maia, o alagamento foi desde o prédio da antiga escolinha da Noroeste até o trevo de acesso à rua Campos Sales e à avenida Castelo Branco. A inundação causou congestionamento no trânsito e desespero dos motoristas que tentaram atravessar o local.
Um caminhão ficou parado no alagamento, mas o condutor saiu ileso. Brito aproveita para pedir à população que evite os pontos críticos em períodos de chuva. “Alguns motoristas se aventuraram a transitar e ficam ilhadosâ€, frisa.
A avenida Cruzeiro do Sul, na altura das quadras 24 e 25 ficou alagada porque o córrego da Água Comprida transbordou. “O lixo jogado pela população provocam o entupimento das galeriasâ€, lembra.
Transbordamento
Brito não descarta novos transbordamentos de córregos. “O problema do lixo é complicado na cidade. Se o sistema de galeria estiver limpo, diminui em até 40% a possibilidade de inundaçãoâ€, pondera.
Ele explica que as galerias limpas retardam em até 15 minutos a inundação de uma região. “Você ganha mais tempo. Se a galeria fosse ficar saturada em 10 a 15 minutos , vai ficar só em 20 a 25 minutos. Nesse tempo a chuva pode parar e o escoamento voltar ao normalâ€, completa.
Brito estima que centenas de casas foram invadidas pela enxurrada. Alguns moradores nem chegaram a acionar a Defesa Civil e por meios próprios solucionaram o problema. Quatro casos de inundações foram registrados pela Defesa Civil nos jardins Andorfato, Nicéia e Jardim Val de Palmas.
Apesar da invasão da enxurrada, segundo Brito, nenhum família ficou desabrigada e nem teve que abandonar a casa. “Não chegou a provocar grandes estragosâ€, tranqüiliza.
O vidraceiro Pedro Ricardo de Camargo e sua família ficaram apavorados com a invasão da enxurrada. A casa deles, na quadra 6 da rua Lindonor de Souza Oliveira, no Jardim Val de Palmas, foi invadida pela água da chuva.
A barreira de terra feita pela prefeitura para evitar a erosão na rua, segundo o morador, acabou represando a água. “A enxurrada invadiu a minha casa, mas não chegou a provocar estragos. Fez muita sujeiraâ€, ressalta.
O morador diz que já cansou de reclamar para a Regional Falcão. “Já procurei a regional várias vezes e reclamei, mas não obtive êxitoâ€, reclama. Devido o horário da queixa, o JC não teve como contatar o responsável pela regional para comentar o caso.
Outro imóvel inundado foi uma oficina na quadra 1 da avenida Nuno de Assis. Urick Paulino de Souza, funcionário do estabelecimento, acredita que a invasão de água das chuvas poderia ser evitada. “A água da chuva sai por uma grande boca-de-lobo perto da oficina e corre para o rio Bauru. Se fosse canalizada até o rio, não teria esse problemaâ€, opina.
A preocupação dele ontem era que os veículos deixados para conserto fossem invadidos pela enxurrada. “Em outras chuvas entrou água nos carros e precisamos mandar lavarâ€, ressalta.
Bombeiros
O Corpo de Bombeiros atendeu cinco chamadas das 15h30 às 17h30 de ontem, período em que a chuva castigou a cidade. Segundo o cabo Antônio Cardoso de Sena, do Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom), os chamados foram para atender três pessoas que ficaram ilhadas, uma inundação e queda de uma árvore.
Todos os casos foram considerados de natureza leve. Em períodos chuvosos, de acordo com o cabo, o efetivo é reforçado. “Temos um pessoal que fica de alerta. Se precisar, eles são acionamosâ€, diz.
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Estragos
Os estragos em vias públicas serão consertados levando em consideração as prioridades, avisa Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil. “As vias de ligação bairro a bairro, onde transitam os coletivos, e os setores onde estão instaladas as escolas e o comércio terão prioridadeâ€, frisa.
Os moradores que tiveram problemas nas ruas de seu bairro devem entrar em contato com a regional que atende aquela região.
A previsão do IPMet para hoje é de céu com muitas nuvens e algumas aberturas de sol, com pancadas de chuva e trovoadas isoladas em todo o Estado a qualquer hora do dia. A temperaturas ficam estáveis, mas o dia será abafado.
A tendência do IPMet para quinta e sexta-feira é de sol entre muitas nuvens. Durante à tarde a nebulosidade aumenta mais por causa do calor e da umidade. Há previsão de pancadas de chuva e trovoadas isoladas em todo o Estado a qualquer hora do dia.