Pela quinta vez em uma década, Israel vai realizar eleições antecipadas. Mas, pela primeira vez em sua história política, a razão principal da crise é socioeconômica e não está ligada à segurança. Em uma jogada rápida, o primeiro-ministro Ariel Sharon apresentou-se diante do presidente para pedir-lhe a dissolução do atual Knesset, o parlamento israelense. Sharon não queria depender dos partidos ultradireitistas, que exigiam mudanças nas pautas básicas do governo, nem da boa vontade do ex-primeiro-ministro e rival pessoal, Benjamin Netanyahu, que se converteu em ministro interino das Relações Exteriores, embora tenha uma postura nítida contra o estabelecimento de um Estado palestino.
Sharon, um político linha-dura de 75 anos, ainda acredita ser o único líder que pode levar “paz e segurança†ao povo israelense. A campanha eleitoral desta vez vai centrar-se na equação “assentamentos de colonos judeus frente ao desenvolvimento de cidades e bairros pobresâ€. O recém-demissionário ministro da Defesa e líder do Partido Trabalhista, Benjamin Ben-Eliezer, deixou seu cargo supostamente porque Sharon não aceitou sua exigência de cortar US$ 150 milhões do orçamento para os assentamentos e destiná-los ao atendimento das necessidades sociais.
Os partidos de esquerda já começaram a usar este argumento contra Sharon. Entretanto, a esquerda evita manifestar claramente que essa situação também é o preço que Israel paga pela ocupação dos territórios palestinos, que dura 35 anos.
Para complicar o panorama, os dois principais partidos enfrentam competições internas. O trabalhismo tem agora três candidatos que disputam a liderança do partido: Ben-Eliezer, que é identificado com a fracassada política de segurança de Sharon e a quem se culpa por não ter levado adiante o processo político com os palestinos; Haim Ramon, jovem e carismático político que até agora não mostrou êxitos reais, mas que se considera como a alternativa moderada frente a Ben-Eliezer; e Amram Mitzna, prefeito de sucesso na cidade de Haifa e ex-general, conhecido por suas atitudes tolerantes em relação aos cidadãos árabes e por suas políticas pragmáticas nas questões da paz com os palestinos.
Os eleitores israelenses gostariam de políticos novos. Ainda restam muitas dúvidas para ser possível fazer um prognóstico dos resultados destas eleições.
Dois amplos setores - os cidadãos árabes e os russos recém-chegados - podem ter uma influência maior do que a porcentagem que possuem no total da população. Os árabes boicotaram as eleições de fevereiro de 2001, quando Ehud Barak e Sharon eram os candidatos.
Estas e outras circunstâncias estão criando incerteza nesta curta campanha. O líder que for capaz de “vender-se†como um mágico que tem todas as respostas pode ser o vencedor. (A autora, Sarah Ozacky-Lazar, é co-diretora do Centro Judeu-Árabe para a Paz, com sede em Israel)