Bairros

Vila São Paulo cobra mais médicos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

A população dos cinco bairros atendidos pelo Núcleo de Saúde da Vila São Paulo - Pousada da Esperança, Jardim Ivone, Vila São Paulo e Nova Bauru - está cobrando da Prefeitura de Bauru mais médicos para atender na unidade.

Embora as reclamações sejam diversas, a principal queixa é a falta de médicos em quantidade suficiente para atender toda a demanda.

“Temos que dormir à noite em frente ao posto para pegar números (senhas) para a consulta, só que chega de manhã e não tem vaga. A situação aqui é crítica”, aponta Sinval David da Silva, morador da Pousada da Esperança 1.

Os moradores dizem que para tentar uma consulta é necessário passar a noite em frente à unidade de saúde em fila.

A média de consultas liberadas por dia para atender a demanda espontânea é de cerca de seis. Portanto, muitos dos usuários que aguardaram em fila voltam para casa sem atendimento médico ou procuram os pronto-socorros municipais.

Irani Rodrigues Nascimento, moradora do Pousada da Esperança 1, afirma que já desistiu de procurar o núcleo de saúde. Ela aponta a falta de assistente social como outra falha da unidade. “Não podemos contar com o posto. É melhor fechar”, diz.

“Todos dias é essa pouca vergonha: não tem médico, o médico está de licença, o médico não veio”, reforça Ana Lúcia Guerreiro Silva, presidente da Associação de Moradores do Núcleo Nova Bauru.

Ela ressalta que é grande quantidade de usuários que depende da unidade de atendimento básico instalada na Vila São Paulo.

“São quatro bairros que esse núcleo atende, fora o Jardim Ivone. Não são quinhentas pessoas”, salienta Ana Lúcia. “A verdade é que nós não temos assistência médica nenhuma aqui”, acrescenta.

Sinval ainda aponta a falta de remédios como outro problema do núcleo de saúde. “Várias pessoas vêm com receita aqui e não conseguem remédio”, destaca Sinval.

O presidente do Conselho Municipal de Saúde, José Perea Martins, afirma que o órgão tem recebido queixas semelhantes de diversos bairros, conforme publicado pelo JC nos Bairros no final do mês de setembro.

Ele afirma que os principais problemas estão localizados na Vila São Paulo e no Núcleo Mary Dota, que também tem demanda reprimida. “Em outros locais acontecem falhas quando os profissionais faltam, estão de licença ou férias. A Secretaria de Saúde está com dificuldade em substituir”, observa Martins.

O presidente do conselho enfatiza que o órgão alertou o prefeito em maio deste ano sobre a necessidade de contratar temporariamente e com rapidez médicos e enfermeiros ou de abrir novos concursos.

Prefeitura

A unidade da Vila São Paulo tem atualmente dois ginecologistas, um clínico geral (outro está de licença médica) e uma pediatra (outra está de licença-maternidade).

A enfermeira-chefe do Núcleo de Saúde da Vila São Paulo, Ana Karina Fernandes Vieira, afirma que cada clínico geral (um no período da manhã e outro no da tarde) faz 16 consultas diárias. A maior parte delas é agendada e destina-se a pacientes dos grupos de prevenção, como diabéticos e hipertensos.

“Do que a população está reclamando? Se é falta de médico, então falta médico”, diz Ana Karina.

A diretora da Divisão de Unidades Ambulatoriais da Secretaria Municipal de Saúde, Jaíra Kirchner, diz que não há previsão de contratação de médicos e assistentes sociais por enquanto. A programação de novos concursos deve começar em janeiro ou fevereiro de 2003.

Ela afirma que em todas as unidades há três especialistas no período da manhã e três no período da tarde.

“A gente sabe que é pouco. Estamos no limite. Não tem sobra e a população não pára de aumentar. Fica muita gente de fora. É uma realidade visível”, observa.

Jaíra destaca que as gestantes não aguardam pelas consultas e são atendidas através de agendamento prévio. A diretora de divisão nega que estejam faltando remédios.

Ela espera que a implantação do Programa de Saúde da Família na Pousada da Esperança, prevista para até o final deste ano, alivie a demanda de atendimento no núcleo de saúde da Vila São Paulo.

O concurso para contratação de profissionais já foi feito. Serão contratados um médico generalista, uma enfermeira, dois auxiliares de enfermagem e cinco agentes comunitários.

Será a primeira experiência do Programa de Saúde da Família em Bauru. A Secretaria Municipal de Saúde espera implantar outro grupo em 2003.

“A unidade de saúde da família custa mais caro que um núcleo de saúde, mas é mais eficiente”, ressalta Jaíra, que não precisou o valor que será empregado no programa.

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