Apesar da crise econômica que se arrasta há meses, o mercado de jóias e semi-jóias mantém-se aquecido em Bauru, até com previsão de aumento nas vendas para o Natal. Diante das seguidas altas na cotação do ouro, que no auge da turbulência chegou a bater na casa dos R$ 45,00 o grama, comerciantes preferiram aguardar e investir em alternativas mais baratas para não assustar o consumidor.
De acordo com a gerente de uma joalheria da cidade, Nair dos Santos, a expectativa é de aumento de até 15% nas vendas para este final de ano em comparação com o Natal de 2001. “Nós sofremos com a alta, mas preferimos não comprar ouro e esperamos a poeira baixarâ€, declara.
Para comparar, o grama do ouro era cotado ontem a cerca de R$ 35,00. Em novembro do ano passado, saía por R$ 22,00, e no mesmo mês de 2000, o grama era vendido a R$ 17,00. Ou seja, em dois anos, o metal teve alta maior que 100%.
Segundo Nair, o grama do ouro trabalhado chegou a custar R$ 80,00 há algumas semanas. O mesmo produto, diz a gerente, era cotado a um máximo de cerca de R$ 60,00 no ano passado - isso se fosse assinado por algum designer famoso.
Para driblar a crise, a joalheria em que Nair trabalha tentou manter inalterados os preços de bijuterias e criou planos de pagamento facilitados, chegando a adotar um “cartão de afinidadeâ€.
A comerciante Kariene Olbrich dos Santos, proprietária de uma joalheria, prefere manter uma postura mais cautelosa em relação às vendas de Natal. “Eu acredito que terminando igual ao ano passado já estará muito bomâ€, diz.
De acordo com Kariene, os aumentos do ouro e de pedras preciosas - que têm seus preços atrelados ao dólar - ocasionaram alta de 70% nas jóias em geral desde o início do ano. Para não assustar o cliente, a saída é esperar. “A gente aguarda uma acomodação do mercado, não fica ao sabor dos aumentos. Então, não há repasse. A gente deixa de comprar e mantém os preçosâ€, declara.
Segundo Kariene, a aposta agora será em mercadorias mais “miúdas†ou alternativas, como uma pulseira de aço com apenas um detalhe em ouro, que sai por cerca de R$ 45,00. Outra pedida é o piercing - cujo preço médio está abaixo de R$ 100,00. â€œÉ um produto que a loja vende todos os dias. É uma tendência para o verão e não é tão caroâ€, observa.
No entanto, Kariene acredita que o mercado de jóias não sofre tanto com a crise porque anéis ou colares são presentes tradicionais. â€œÉ uma coisa definitivaâ€, aponta.
A comerciante Cynthia Bueno, também proprietária de joalheria, espera aumentar as vendas em relação a 2001 com investimento em produtos alternativos, como pedras brasileiras e até coco. “Eu espero uns 30% a mais de vendas neste Natalâ€.
Segundo Cynthia, o consumidor está mesmo procurando similares mais baratos. “O cliente que era só de ouro acaba indo para a semi-jóia, que é um produto de qualidade e de preço não muito diferente da bijuteriaâ€, ressalta a comerciante.