Regional

Escola utiliza impacto para educar

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Presidente Alves - Educar pelo impacto. Esse é o objetivo de um projeto ecológico desenvolvido com alunos da escola estadual “Professora Maria Aparecida Coimbra”, em Presidente Alves. Para mostrar aos alunos os danos que o homem pode provocar ao meio ambiente, a professora Adalgisa Anália Puzipe Torrente levou para a sala de aula um aquário com água poluída e colocou dentro dele dois peixes pequenos.

Dois dias foram suficientes para que um desses peixes aparecesse morto. A perda causou indignação entre os alunos. Para a professora, por mais triste que possa ser, essa era a reação que ela esperava.

“Eu fiz isso de propósito. A minha intenção era realmente chocar os alunos”, revelou Adalgisa. Segundo ela, a idéia era mostrar às crianças o que acontece todos os dias com milhares de peixes que vivem em rios poluídos.

Com isso, a professora espera despertar a consciência dos alunos para a importância da preservação do meio ambiente. “Se as crianças não forem instruídas desde cedo, quando forem adultas será tarde demais para convencê-las disso”, afirmou Adalgisa.

Participam do projeto 15 alunos da 4.ª série do ensino fundamental.

Dentro do aquário, além dos dois peixes, a professora colocou latas de refrigerantes vazias, garrafas de plástico do tipo pet, tampinhas de plástico e alumínio, pedras e uma imitação de planta aquática.

A água usada para abastecer o aquário foi tirada da “torneira”, segundo Adalgisa. Para não deixar faltar ar aos peixes, foi colocado um tubo de ar no interior do aquário. Como alimento, a professora serve, uma vez por semana, ração própria para peixes.

O trabalho em sala de aula começou no dia 31 de agosto e vai até amanhã, com apresentação de uma espécie de cartilha feita pelos próprios alunos. Nela, eles fazem um resumo de tudo o que foi discutido e ensinado durante as aulas ou fora da escola.

Há uma semana, os alunos foram até a nascente do rio Batalha, em Agudos. Lá eles puderam ver a diferença que há na qualidade da água desde a nascente até a foz, quando deságua no rio Tietê, próximo a Reginópolis.

Durante a visita, os alunos aproveitaram para plantar 12 mudas de árvores nativas, na cabeceira da nascente.

Além de despertar a consciência das crianças para a necessidade da preservação do meio ambiente, o projeto possibilitou ainda abordagens de temas que envolviam geografia, gramática (produção de texto) e matemática.

Antes de abordar especificamente os problemas do rio Batalha, os alunos estudaram o trajeto e os problemas do rio Tietê, o maior do Estado.

Apesar de todas as dificuldades encontradas para viabilizar o projeto, como a falta de material e até de incentivo, Adalgisa considera que os resultados alcançados foram satisfatórios.

Segundo ela, motivados com os trabalhos, alunos com desempenho medíocre em sala de aula passaram a produzir mais textos e desenhos.

“Fiquei tão satisfeita com isso que já estou pensando em fazer outros projetos”, revelou Adalgisa.

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Alunos aprovam projeto

Se depender apenas da vontade dos alunos, projetos semelhantes ao “Aquário Poluído” serão sempre bem-vindos. A exemplo da professora Adalgisa Anália Puzipe Torrente, as crianças também aprovaram os trabalhos desenvolvidos em sala de aula.

Para o aluno Edeison Carvalho Amaral, 14 anos, as atividades propostas pela professora foram mais estimulantes e por isso teria despertado a atenção da classe.

Na opinião do irmão, Ednaldo Carvalho Amaral, 11 anos, o projeto serviu para que ele descobrisse coisas novas.

Ele não sabia que o rio Batalha nascia entre as pedras. “Eu sempre tinha visto a água brotar do chão, nunca da pedra”, contou ele.

Regis Pereira Linguanote, 13 anos, disse que gostou de tudo, mas o que mais o impressionou foi a morte do peixe.

Apesar de ter ficado triste, Júlio Cesar Batista da Silva, 11 anos, não ficou surpreso com o triste fim do peixinho. Ele disse que sabia que a água poluída poderia matar o peixe e concluiu que o maior prejudicado é o próprio homem, que usa o rio para pescar ou mesmo para captar a água que bebe.

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