Economia & Negócios

Unimeds podem arrendar a Beneficência Portuguesa

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A Confederação das Unimeds está fazendo uma apreciação técnica de dados sobre o Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru para um possível arrendamento do prédio. O interesse pelo hospital foi confirmado à reportagem pela assessoria da presidência da Confederação (em São Paulo), pela Unimed em Bauru e pelo diretor clínico da Beneficência, dr. João Batista Bórsio Neto.

O diretor do hospital admite que a Beneficência está com dificuldades financeiras. Contudo, esse não seria o principal motivo que levou a direção a fazer contatos com a Confederação das Unimeds.

“A Beneficência não recebe subsídios do governo; é mantida pelas contribuições dos associados. Na época da sua inauguração em Bauru (em 1928), a quantidade de sócios era grande, até porque também era alto o número de imigrantes portugueses que vinham para cá. Mas com o passar dos anos os associados foram diminuindo e estamos enfrentando uma fase de estagnação”, explica Bórsio Neto.

Sem citar cifras, o diretor clínico da Beneficência afirma que a dívida do hospital não é “impagável”. Entretanto, o arrendamento - já que a Sociedade Beneficente Portuguesa não permite a venda - teria sido a melhor saída encontrada para que o hospital não deixe de receber investimentos e possa continuar crescendo.

“A dívida não é impagável. Poderíamos negociá-la. O problema é que a nova geração de descendentes de portugueses, inclusive de famílias que se dedicam à administração do hospital em Bauru sem cobrar nada, não se interessa em dar continuidade a esse trabalho. Se a Confederação das Unimeds arrendar o prédio, os investimentos virão e a Beneficência se tornará uma referência nacional”, diz Bórsio Neto.

Interesse estratégico

Por enquanto ninguém fala em valores para o arrendamento, pois as conversações entre a Confederação e a diretoria do hospital estão no início. Uma fonte ligada à cooperativa Unimed em Bauru, que pediu para não ter seu nome revelado, afirmou ao JC que “do ponto de vista estratégico, o arrendamento interessa muito à Confederação”.

Segundo essa fonte, a Unimed local não terá nenhuma participação numa eventual negociação em termos financeiros, já que tudo será feito pela Confederação.

“Para a estrutura Unimed no estado de São Paulo, isso é muito interessante. Mas é ainda mais interessante para Bauru, porque o padrão de atendimento à população se elevará, crescerão as opções para o mercado de trabalho médico na cidade, entre outros pontos positivos. Na minha opinião, tudo indica para o sucesso dessa negociação”, diz a fonte.

O diretor clínico da Beneficência afirma que, na última segunda-feira, uma equipe técnica da Confederação das Unimeds esteve no hospital fazendo uma série de levantamentos.

“Ainda não há nada oficial. A situação está no campo do interesse e do levantamento de dados. Mas se o arrendamento for fechado, a população de Bauru ganhará muito com isso. O salto de qualidade será tremendo, porque novas tecnologias e procedimentos que hoje só se encontram em grandes centros serão trazidos para cá, com todo o respaldo financeiro da Confederação”, observa Bórsio Neto.

Referência

De acordo com o diretor clínico do hospital, o interesse imediato por parte da Confederação das Unimeds em estudar a fundo a possibilidade do arrendamento ocorreu em função da estrutura do Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru.

“O hospital tem uma infra-estrutura de alto nível. Temos equipamentos modernos, como o de ressonância magnética, tomografia, ultrassom, um ótimo laboratório, entre outros itens. Então, falta pouca coisa para que se torne um ponto de referência, que é o objetivo da Confederação das Unimeds”, destaca Bórsio Neto.

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História

O Hospital Beneficência Portuguesa foi fundado em Bauru no ano de 1915, pela Sociedade Beneficente Portuguesa (formada em 1914). Mas somente em 1928 houve a inauguração oficial do hospital, com oito leitos. Atualmente existem 90 leitos ativos, mas há capacidade para atender em até 200 leitos.

Os gastos mensais do hospital com pagamento de funcionários e manutenção não são revelados pela diretoria. No momento, a Beneficência Portuguesa mantém aproximadamente 400 empregos, entre diretos e indiretos.

Dos atendimentos realizados no hospital através de convênio, cerca de 80% se referem à Cooperativa Médica Unimed.

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