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E agora, Luiz Inácio?


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Passada a euforia da vitória, a realidade bate à porta da equipe de transição e do governo eleito. As negociações, os encontros, os acordos continuam em marcha, mas a tarefa que se inicia é hercúlea.

Há a necessidade de uma conjugação de esforços para, no mínimo, uma lista de tarefas que abrange ações para retomar o desenvolvimento, permitindo o crescimento econômico a níveis superiores aos pífios índices da última década; manter a inflação sob controle, em percentuais anuais inferiores a um dígito; cumprir a promessa de reduzir paulatinamente os juros escorchantes cobrados pelo mercado a partir das taxas fixadas pela equipe econômica atual; implementar os programas sociais anunciados, primordialmente o combate à fome, buscando minorar o sofrimento de 52 milhões de pessoas em todo o território nacional. O alto custo de um programa essencial como este, aliado à carência de recursos evidente, estampada no projeto de Orçamento Geral da União em discussão no Congresso, são empecilhos a uma consecução imediata, com resultados a curto prazo; iniciar o debate sobre a questão do emprego, com rediscussão da legislação trabalhista em vigor e aplicação de medidas que impulsionem a redução da informalidade. A meta anunciada de geração de quatro ou cinco milhões de postos de trabalho é a quimera do desempregado nacional; dar seqüência ao tema nevrálgico da reforma tributária, em que todos os entes federados envolvidos (União, Estados e Municípios) nada querem perder em termos de volume de arrecadação, mas prometem alíquotas menores. Deve ser debatida a regressividade tributária, com vistas à eliminação das taxações em cascata, com redução das alíquotas e ampliação da base de tributação; encontrar fórmulas para estancar o sangradouro das contas previdenciárias, que registram desequilíbrios anunciados da ordem de R$ 17 bilhões no Regime Geral, voltado para os trabalhadores da iniciativa privada, administrado pelo INSS, e de R$ 50 bilhões anuais nos Regimes Próprios, que cobrem as aposentadorias e pensões dos servidores públicos da União, Estado, Municípios e Distrito Federal, incluindo civis e militares.

Com tudo isto, ainda há que se gerar superávits primários sucessivos, às custas de cortes nos investimentos e despesas de custeio, bem como encontrar instrumentos para administrar uma dívida pública monstruosa, que chega perto dos 60% do PIB nacional, interrompendo o círculo vicioso de pagar débitos com novos empréstimos, a taxas mais altas, como têm sido feito nos últimos anos.

Pois, agora, descendo do palanque e da saraivada de beijinhos, autógrafos e abraços, é hora de administrar esta Nação esperançosa de dias auspiciosos sob a égide de um novo formato de governo.

E agora, Luiz Inácio? O Brasil e o mundo esperam muito destes novos tempos! (O autor, Vilson Antonio Romero, é jornalista, auditor fiscal do INSS, diretor da Associação Gaúcha dos Fiscais de Previdência e da Associação Riograndense de Imprensa – e-mail: romero@ anfip.org.br)

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