O rebanho caprino do Brasil conta com aproximadamente 10 milhões de cabeças. Na região sudeste do País, o aspecto mais importante da caprinocultura sempre foi a produção de leite.
O leite de cabra, além de ser bastante apreciado como bebida, também é utilizado para a produção de queijos. A França é o principal produtor de queijo de cabra do mundo. São queijos elaborados, maturados, às vezes até por um ou dois anos. O produtor brasileiro, no entanto, ainda não tem o completo domínio da tecnologia da produção de queijo finos.
Hoje, já é possível encontrar nos supermercados brasileiros produtos como leite longa vida, leite em pó, e até cosméticos feitos a partir do leite de cabra. O leite é vendido a um preço mais alto que o leite de vaca, por isso, pode proporcionar aos produtores um lucro razoável com a criação de poucos animais.
Há pouco tempo, foram introduzidas no Brasil raças de corte como a sul-africana boer, que foi melhorada na Alemanha e nos Estados Unidos. Dessa forma, os produtores passaram a investir na melhoria da produção de carne, visando aumentar a rentabilidade da criação.
Segundo o professor Heraldo César Gonçalves, do Departamento de Produção e Exploração Animal, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) de Botucatu, existe um grande mercado potencial para a carne caprina. “Hoje, os produtores estão cruzando as cabras de leite com os reprodutores da raça Boer para conseguir um cabrito de melhor qualidade. Há um mercado potencial para a carne caprina, mas faltam animais para serem comercializadosâ€, afirma.
A carne de caprino tem um teor reduzido de gorduras saturadas, que são as responsáveis pelo aumento dos níveis de colesterol. Além disso, de maneira geral, tem menores teores de caloria e gordura do que o peito de frango.
A área de criação de caprinos da FMVZ fica na Fazenda Lageado. A faculdade possui um rebanho de 60 matrizes da raça alpina, além de reprodutores da raça boer. O rebanho é utilizado para as aulas práticas, estágios e pesquisas.
Dentre os trabalhos desenvolvidos na FMVZ, estão pesquisas a partir do cruzamento entre as raças leiteiras e de corte. “Nós desviamos um pouco a atenção do leite, para atender ao interesse dos produtores pela carne. Temos pesquisas que avaliam o potencial de crescimento, adaptação, rendimento de carcaça, qualidade da carne e resistência dos animais mestiçosâ€, enumera o professor Heraldo.
Além das pesquisas, a FMVZ assessora os produtores da região. O telefone do Departamento de Produção e Exploração Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Botucatu é (14) 6802-7185.