Geral

Leão 13 sofre falta d’água constante

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Tomar banho, lavar a roupa e usar o banheiro têm sido atividades impossíveis para alguns moradores do Núcleo Leão 13. Eles vivem na parte alta do bairro e alegam que a falta de água é freqüente. Segundo eles, o problema piorou muito nos últimos quatro meses. Nos dias úteis, a água só chega no período da manhã e desaparece aos finais de semana.

“A maioria das mulheres trabalha fora. Quando chega o feriado ou final de semana não tem uma gota de água nas torneiras”, comenta Nadir Pereira Alves. “São os únicos dias que a gente tem para limpar a casa e lavar a roupa da família inteira”, completa Maria do Carmo Navarro de Souza.

De acordo com Aparecida Alves Ferreira, que mora no bairro há dez anos, sempre houve falta de água no núcleo, desde a sua inauguração. “Aí, nós brigamos muito até que o DAE (Departamento de Água e Esgoto) abriu um poço artesiano no Parque Real. Melhorou, mas o volume de casas nesta região aumentou e agora estamos sem água outra vez”, desabafa.

Valdelice Bernardo da Silva conta que, nos últimos meses, só chega água de madrugada e no início da manhã. Mas a quantidade é tão pequena que não completa a caixa de reservação, obrigando as famílias a deixar algumas atividades de lado para ter água para cozinhar, usar o banheiro e tomar banho. “Se lavar, não come, nem toma banho”, acrescenta Leonice Mendes Castorino.

Cerca de 15 moradores se reuniram para protestar contra a falta de água, ontem. Eles informaram à reportagem que a justificativa do DAE é que quando o consumo aumenta nas residências da parte baixa, a água não tem pressão suficiente para chegar à parte alta do bairro.

“A tubulação que vem do poço tem bitola (diâmetro) grande. Chega nos núcleos de baixo, ramifica e distribui para vários lados. Com isso, a água é pouca e não enche mais o cano, que fica sem pressão mesmo para subir. Só que eles têm que resolver isso, porque nós também pagamos a água”, ressalta o pedreiro Gerson Bernardes.

Os moradores discutiam a possibilidade de fazer um abaixo-assinado para fazer mais uma reclamação junto ao DAE. Alguns, dizendo-se cansados de pedir, falavam em boicotar a empresa, deixando de pagar as contas até que o abastecimento fosse regularizado.

DAE culpa ventania

De acordo com a assessoria de imprensa do Departamento de Água de Esgoto (DAE) de Bauru, o desabastecimento na região do Núcleo Leão 13 ocorreu ontem porque os fortes ventos de anteontem teriam danificado a linha telefônica que controla o funcionamento do poço. Quando a linha “cai”, as bombas são automaticamente desligadas.

“Funcionários do DAE perceberam o problema e colocaram o poço para funcionar novamente no início da manhã (de ontem). A região baixa voltou a receber água imediatamente e a parte alta levou algumas horas para receber, até saturar a parte baixa”, informa a assessoria.

A empresa alega, porém, que a falta de água no bairro foi uma situação atípica e que são raros os registros de reclamação por desabastecimento naquela região. Questionada sobre a afirmação dos moradores de que o problema é freqüente e ocorre há bastante tempo, a assessoria reforça que não há registros a esse respeito.

Porém, explica que as redes de tubulação são extensas e se há um vazamento numa rua, é preciso interromper a rede toda para consertar. Se no dia seguinte houver outro vazamento, em outra rua, todo o abastecimento será interrompido novamente. Cada vez que isso acontece, é preciso esgotar a água dos canos para consertar.

“Quando a água volta, a parte baixa daquela região é que vai receber água primeiro e eles vão consumindo. A água precisa encher todos os canos da parte baixa primeiro para depois ter pressão e chegar até o alto, porque ela é enviada para cima com a força da gravidade e isso demora mesmo”, completa.

O DAE pede que os moradores telefonem para a empresa sempre que houver falta de água. Essa é a única forma de se fazer um levantamento dos pontos mais prejudicados para se buscar uma solução efetiva.

Comentários

Comentários