Tribuna do Leitor

O TEATRO BAURUENSE SEMPRE ESTARÁ BEM


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De Curitiba, onde exerço meu ofício teatral, escrevo estas linhas, saudoso de Celina Lourdes Neves. Certa vez escrevi sobre quando a vi pela primeira vez, na Escola Progresso, a diretora do Grupo de Teatro Gil Vicente. Eu tinha 10 anos, fui buscar os diplomas de caligrafia gótica, confeccionados um a um, encomendados pelo meu pai. A dona Celina era uma pessoa majestosa, imensa, tinha uma voz troante e impostada, era uma atriz poderosa. Fiquei intimidado. Em sua mesa, vendo aqueles diplomas maravilhosos, com medo, mas querendo demonstrar segurança (recurso que uso em palco, até hoje), perguntei se era difícil escrever na caligrafia gótica. Ela respondeu: - “Com sofrimento a arte é difícil, com prazer a arte é fácil”. Essa frase foi a mais pura definição de como é feito o teatro em Bauru. É notável que quanto maior a dificuldade, maior o número daqueles fazendo teatro. Havia uma reclamação de que as peças dos grupos locais não tinham qualidade. Na verdade, tinham pouco valor de mercado, pois eram veículos de expressão autênticos. Essa autenticidade tem se ausentado em todas as produções teatrais subsidiadas a grandes custos no Brasil. As peças ficaram chatas! Hoje, além das notícias alarmantes de contaminação de chumbo que chegam aqui no Sul, sabemos que alguns grupos de teatro lutam para manter-se em pé. Outros até conseguem alguma nota na mídia nacional. Qual energia dá suporte a essas pessoas? E dona Celina foi contratada para dirigir a Cia. Cósmica, com atores e atrizes divinos, santificados! O coro, uma hoste de anjos fazendo acompanhamento. Os textos mais recentes de Gil Vicente, Camões, Lima Barreto... (Jorge Miyashiro Jr. - dir. da Miyashiro Teatro de Bonecos - Curitiba-PR)

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