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Novos riscos


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Atividade econômica em queda, redução do salário real em quase todos os setores de atividade e índices de desemprego em alta formam uma combinação explosiva. Creio que poucas pessoas têm dúvida da influência decisiva desses fatores no resultado das eleições de outubro último. O desemprego já atingira níveis dramáticos em 1998, quando o presidente Fernando Henrique conquistou seu segundo mandato. Ele tinha plena consciência da gravidade do problema, tanto que na campanha da reeleição seu principal slogan continha a promessa: “Quem terminou com a inflação, vai terminar com o desemprego”. Naquela oportunidade o desemprego atingira 8,3% da população economicamente ativa, o que era apresentado como conseqüência inevitável da política de estabilização que tinha reduzido a taxa de crescimento da inflação a 1,7% ao ano, um resultado festejado pela sociedade.

Infelizmente, o segundo governo de FHC não foi capaz de cumprir o compromisso enunciado na campanha e ao seu final entrega o País com uma taxa de desemprego jamais registrada desde que se começou a calcular o índice, há 40 anos. Devido ao viés anticrescimento de sua política econômica, negligenciou os investimentos no estratégico setor da energia, perdendo-se mais uma vez a oportunidade de retomar o desenvolvimento do País, o que inviabilizou a prometida recuperação dos empregos. A massa de desempregados continuou pressionando o mercado, acentuando a queda do rendimento real dos trabalhadores nestes últimos quatro anos, medida pelo IBGE e confirmada pelos registros do Dieese para as diversas categorias de assalariados.

Baixo crescimento econômico, desemprego, salário real aviltado e uma formidável dívida interna e externa, são os itens mais visíveis da herança que o presidente Fernando Henrique deixa para o próximo governo administrar. Piorando o quadro, no apagar das luzes deste mandato, a inflação começa a apresentar alguns sinais desagradáveis, em decorrência dos reajustes dos preços administrados, do aumento da volatilidade cambial e de uma certa complacência monetária. O IGP-M do mês de outubro terminou em 3,87% , o maior aumento registrado desde o início do Plano Real. A expectativa inflacionária está mudando e isso significa dificuldades maiores lá na frente. Isto tem que ser olhado agora, porque o custo social para recuperar o controle da inflação é crescente, inclusive em termos de emprego.

Esses fatos sugerem como terá que ser competente, cuidadoso e duro o sucessor de FHC para manter a inflação anual no intervalo de 8% a 9% e a dose de paciência que será exigida de uma política capaz de reverter o medíocre crescimento e recuperar os empregos perdidos em todos esses anos. (O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PPB-SP, professor emérito da USP. E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br)

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