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IPA amplia produção de alimentos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru está ampliando sua área de produção com o objetivo de tornar-se auto-suficiente para alimentar os 650 reeducandos. Além da horta, a diretoria do presídio instalou um tanque para piscicultura, criou uma estufa de paisagismo e está tentando firmar convênio com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) para a criação de capivaras.

Nessa linha, o instituto já firmou parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de São Carlos para a melhoria do pasto, necessária para aumentar a produção de leite. O IPA, presídio de regime semi-aberto, está instalado em uma fazenda com área de 281 alqueires.

Usar a mão-de-obra dos detentos e diminuir as despesas com a manutenção, especialmente com a alimentação deles, é o objetivo da diretoria do IPA. A primeira fase do projeto de auto-suficiência foi colocada em prática há mais de um ano, com a horta que, atualmente, produz 6 mil quilos por mês de verduras e legumes.

A produção da horta é suficiente para o consumo dos reeducandos e ainda sobra para ser vendida a funcionários. Além das hortaliças, também foram plantadas mandioca e abóbora, para alimentar os suínos.

Nove alqueires de milho e quatro de cana-de-açúcar foram plantados para sustentar o gado e diminuir os gastos com a alimentação dos animais. Outros quatro alqueires foram usados para o plantio de melancia. “Até o final do ano vamos colher de 4 a 5 mil quilos de melancia e 60 toneladas de milho”, conta Roberval Cervantes Doro, diretor do centro agroindustrial do IPA.

A produção de leite, atualmente de cerca de 170 litros por dia, será ampliada com a melhoria das pastagens. O convênio com a Embrapa vai garantir a diminuição do número de vacas e o aumento da produção de leite, segundo explica Doro.

De acordo com ele, técnicos da Embrapa vão orientar os reeducandos para melhorar as pastagens. “O aumento da produção de leite pode diminuir as despesas com queijo para consumo dos detentos. Vamos produzir mussarela”, frisa o diretor do IPA.

Já o convênio com o Ibama, que está praticamente fechado, vai permitir a criação de capivaras e sua posterior devolução ao habitat natural. A piscicultura e o paisagismo são outros dois segmentos que estão sendo implantados no IPA para a criação de peixes para consumo interno e reformulação dos jardins.

Tanto a piscicultura quanto o paisagismo são atividades laboterápicas que oferecem possibilidade de profissionalização para os detentos. Uma parceria com a Associação de Recuperação Florestal e Ecologia da Região de Bauru (Aciflora) permitiu o reflorestamento das três nascentes de água que existem no interior do presídio.

“A Aciflora forneceu 150 mudas de árvores nativas e eucalipto, que já foram plantadas. A área estava devastada por mal uso”, frisa Doro.

Piscicultura

Um tanque para criação de peixes está pronto e outro está na fase final. Os dois devem produzir cerca de 200 quilos de peixes semanalmente, também para consumo interno.

De acordo com Doro, quatro detentos estão trabalhando na construção do tanque. “No máximo em janeiro devemos estar usando os peixes para variar o cardápio”, adianta.

Doro frisa que no primeiro tanque foram colocados 3 mil pacus, 1,5 mil tilápias, 500 lambaris e 100 carpas. “O outro tanque vai ter a mesma capacidade e deve produzir 200 quilos por semana. Os primeiros peixes foram doados pela usina hidrelétrica de Salto Grande”, conta.

Oito reeducandos do IPA foram designados para trabalhar na plantação, manutenção e replantio das mudas na estufa. “São flores, coco-anão, árvores frutíferas e folhagens”, diz Doro. As flores, segundo o diretor, serão usadas para reformular os jardins, enquanto que as árvores frutíferas serão utilizadas no pomar.

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