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Bicicleta do barulho

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

O que começou como uma pequena brincadeira entre adolescentes transformou-se em uma forma criativa, econômica e rentável de ganhar dinheiro. Os bauruenses Bruno Meireles Marques, 18, Marcel de Oliveira Germano, 15, e Vinicius Franco Nicolini, 14, criaram uma bicicleta com som para fazer propagandas comerciais pela cidade.

A princípio, a idéia era apenas fazer algo diferente para marcar presença no principal “point” de encontro da juventude local: a avenida Getúlio Vargas. Lá, viraram não só o centro das atenções como também das brincadeiras. “A surpresa foi geral e todos ficavam nos olhando”, lembra Bruno.

Entretanto, difícil mesmo, segundo eles, foi superar a vergonha no início da travessia da via. “Além de enfiar o boné no rosto, andávamos de cabeça baixa e nem olhávamos para o lado por medo de estarmos sendo ridicularizados. Depois paramos em um bar e ficamos mais à vontade e com o som ligado”, diz ele, rindo.

Depois disso, com a “magrela” já equipada, é que o divertimento acabou tornando-se um assunto profissional. “Muitas pessoas nos sugeriram que fizéssemos propagandas com a bicicleta. Gostamos da proposta e resolvemos tocar para frente”, ressalta Bruno.

A “engenhoca” desenvolvida pelos jovens é simples e não demorou mais do que cinco dias para ser produzida. Junto ao guidão, em uma espécie de caixote vermelho, encontra-se o toca-fita. Na traseira, o local anteriormente destinado a uma possível bagagem ou carona está ocupado por um baú de madeira, recentemente construído, revestido por tecido de corvim vermelho.

Em seu interior estão um módulo de potência, alto-falantes, subwoofers e tweeters, todos ligados a uma bateria comum de carro, cedida por Vinícius, que alimenta o sistema. Em atividade há cerca de 15 dias, os garotos afirmam que a clientela tem aumentado à medida que tornam-se conhecidos no bairro onde residem - Bela Vista - e nos locais em que circulam.

“Nas primeiras vezes fazíamos apenas para uma loja de som, que fez o baú para a gente. Agora, conforme fomos rodando a freguesia cresceu. Só nesta semana já conseguimos mais dois”, afirma Bruno, surpreso com a receptividade dos interessados ao inédito serviço, que é cobrado por hora. “Se tudo der certo e o negócio prosperar, pretendemos equipar mais uma bicicleta”, revela ele.

Os jovens contam, ainda, com a preciosa ajuda de um amigo locutor que empresta sua voz para gravar as fitas com as propagandas. “No começo improvisávamos essa parte, mas logo percebemos que isso não era muito nossa praia”, brinca Bruno, ao referir-se à má qualidade do resultado final.

Revezamento solidário

Mas engana-se quem pensa que foi fácil sair por aí pedalando e divulgando estabelecimentos comerciais. Os jovens contam que o início da atividade foi complicado devido ao elevado peso da bicicleta, uma Alfameq apropriada para efetuar trilhas, e do equipamento sonoro. “Juntos eles pesam mais de 40 quilos”, diz Bruno.

Um dos que mais sofreu foi Vinícius, que penou para aprender a equilibrar-se na bike. Mas o problema foi logo resolvido graças a uma “forcinha” de Bruno. “Tive de dar uma de personal trainer com ele”, brinca ele.

Apesar de já terem se familiarizado com a “magrela”, os jovens adotaram um esquema de revezamento no pedal. Quando um se cansa, outro assume a função. O mesmo ocorre no momento em que determinado número de quadras percorridas é atingido, normalmente 15. “Além de evitar o cansaço, andando em três estamos mais seguros”, destaca Vinícius.

Com isso, os adolescentes calculam possuírem autonomia para rodar, tranqüilamente, mais de dez quilômetros por dia. “Em um sábado chegamos a pedalar mais de quatro horas ininterruptas”, garante Bruno. E acrescenta: “Estamos preparados para enfrentar até subidas íngremes.”

Os jovens enfatizam, ainda, ter enfrentado a resistência dos pais diante do novo serviço. “No começo eles não gostavam porque consideravam que o som podia incomodar as pessoas e atrapalhava até falar ao telefone. Mas, agora eles já nos incentivam”, enfatiza Bruno.

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