Pular da frigideira e cair em um caldeirão de água fervente. Esse é o dilema que muitos devem estar vivendo atualmente após os aumentos nos combustíveis anunciados pelo governo, que contribuíram para os preços atingirem níveis estratosféricos.
Diante disso, é cabível acreditar que uma mudança de hábitos tornou-se imperiosa para um grande número de condutores que utilizavam seus veículos diariamente. É possível, ainda, pensar que para evitar um “assalto†maior no bolso uma grande parcela tenha adotado o ônibus coletivo como seu transporte preferencial. E é aí que o nó começa a apertar, especialmente em Bauru.
Absurdamente, é inimaginável constatar que a cidade, que já possui mais de 300 mil habitantes, não conte com o sistema integrado de passageiros. Através dele, seria possível rodar aos quatro cantos pagando, no máximo, duas passagens. Bem diferente do que ocorre hoje, em que para se deslocar de um bairro até outro não é raro o usuário ter de desembolsar, entre idas e vindas, a quantia equivalente a quatro bilhetes.
E é justamente nessa condição que o dilema se instaura: arcar com o dispendioso custo dos combustíveis ou abrir mão do conforto dos veículos para encarar ônibus e o pagamento de quatro passagens? Haja bolso e, principalmente, dinheiro para isso, uma realidade bem distante de ocorrer para muitos bauruenses.
Comenta-se que o sistema integrado está previsto para entrar em operação apenas no final de 2004 na cidade. Por que todo esse tempo se em cidades sabidamente de menor porte que Bauru, como Ourinhos, o mesmo já se encontra funcionando há vários anos?
Enquanto isso, talvez a melhor opção seja mesmo apelar para as caminhadas. Além de fazer bem à saúde, alivia o orçamento no final do mês. Sorte dos fabricantes de calçados.