Tribuna do Leitor

"CÂMARA MUNICIPAL DE BAURU"


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Novamente, a sociedade bauruense se mostra “perplexa” com os fatos que envolvem o Legislativo municipal e o contraste que existe entre a gravidade dos fatos e a singular atitude dos que nos representam e que tão ingratamente insistem em envergonhar-nos de forma nociva. Até quando, senhores vereadores?

Suas excelências não têm outra razão de existir, outro título de legitimidade senão os que lhes vêm do mandato de zelar pela causa pública, de legislar sobre os interesses coletivos e também de fiscalizar com imparcialidade os atos do Poder Executivo. Entretanto, alguns vereadores têm verdadeiro fascínio em complicar as coisas e este “masoquismo político” evidencia, por um lado, total desleixo no cumprimento do dever público, e por outro, a premente necessidade de satisfazer a qualquer custo suas vaidosas aspirações político-carreiristas. Mas e o povo? O povo, na visão destes, deve ser apenas um “detalhe”, verdadeira massa de “experiências” políticas e que vota de vez em quando.

Agora, o que fazer quando os responsáveis por representar-nos se nos mostram tão descuidados e perdidos em seus inflamados discursos estéreis, quando na realidade de forma recorrente pululam na mídia denúncias de irregularidades e falcatruas envolvendo o dinheiro público? Será que o eleitor bauruense, ao outorgar-lhes o direito de representar-nos publicamente, passou-lhes também a falsa idéia de que uma vez no poder suas excelências poderiam agir sob a influência deletéria de seus interesses sobrepujando aos reais interesses da coletividade e como bem disse nesta “Tribuna” o pertinente missivista Ivan Garcia Goffi, por que suas excelências teimam em desafiar nossa inteligência?

Cabe a um vereador preocupar-se tão somente em conceder títulos de cidadão, dar nomes a logradouros públicos e também, servir de capacho do Executivo, tem cabimento isso? Por que a dependência harmoniosa entre os poderes? Até quando, ilustres senhores, nós, contribuintes bauruenses, que pagamos seus polpudos salários, teremos de assistir com complacência e distração ao acintoso desmazê-lo com que alguns membros desta instituição tratam o erário público? Por que a impressão do corporativismo legislativo dos pares na apuração das graves denúncias de corrupção e do abuso de alguns?

Questão de ordem. Os senhores vereadores precisam entender que enquanto funcionários públicos, suas excelências devem satisfações e esclarecimentos de seus atos para com a sociedade e que se existe alguma “banda podre” que macula a imagem deste poder, esta deve ser extirpada. E se não houver uma rigorosa apuração dos fatos que são públicos, notórios e que denigram a imagem desta “Casa das Leis” e de seus membros como um todo, este Poder Público é quem sofrerá as conseqüências, pois diferentemente da cidade, a tolerância da população tem limites. Portanto, ínclitos vereadores, os senhores têm a responsabilidade social e a obrigação moral de passar este “drama político” a limpo, punindo de forma exemplar os responsáveis pelos delitos e assim ocorrendo, devolver a confiança e a credibilidade deste poder junto a opinião pública e a sociedade como um todo. No entanto, se estas famigeradas CEIs acabarem em pizza, aproveitem também para escolher um belo nome pra esta “pizzaria”. Estas eleições de 2002 deixaram um claro recado à classe política e este chama-se “mudança”, isto é, ou os senhores políticos mudam suas atitudes e comportamentos na lida do “bem público” ou, nós (eleitores) mudamos com suas excelências no futuro juízo em que novamente faremos o julgamento político de seus respectivos mandatos (próximas eleições municipais). (Aurélio da Silva Braga - RG: 12.912.493)

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