Vivemos atualmente numa sociedade onde a principal regra é o topa tudo por dinheiro. Os valores morais foram para as favas e o que impera são os bens materiais, a roupa que se usa e a aparência que na maioria das vezes engana.
A “prostituição†generalizada reinante em grande parte da sociedade é visível. Há pouco tempo no Brasil tínhamos um ladrão fino e famoso por assaltar o trem pagador de Londres, que por incrível que possa parecer era requisitadíssimo para dar palestras nas faculdades do País. E não foram poucas as vezes que “o bom ladrão†desmarcou noites de autógrafos para frustração geral das platéias.
Lamentavelmente, o caráter, a honestidade, a lealdade, a ética viraram sinônimos de otários e idiotas. A hipocrisia chega a tanto que a parcela da sociedade que apregoa ser todo político ladrão é a mesma que te chama de tonto por ter participado de uma administração e ter saído da mesma com dificuldades sociais. E eu presenciei esta duplicidade de comportamento.
O “é dando que se recebe†(frase, salvo engano, atribuída a São Francisco de Assis) virou praxe na vida pública e até na conjugalidade individual. Por isto, causa surpresa, mas não estranheza, o fato de uma jovem de classe média tramar a eliminação dos próprios pais para viver no seu Jardim do Éden individual junto com seu namorado. E como possivelmente a mãe e o pai não queriam a relação devido a desproporcionalidade da renda, ocorreu a tragédia. Aliás, não são poucas as famílias que enxergam no filho ou filha um mero produto de venda no mercado de interesses.
Portanto, a mentora intelectual da morte do casal foi a própria sociedade e coube à filha e aos comparsas se tornarem instrumentos da ação. Embora eles tenham que ser condenados com os rigores da lei. E agora, no cárcere, eles aprenderão que a sociedade que te assanha a não cumprir as regras é a mesma que te massacra quando você descumpre e é pego.
Neste caso deu para perceber que quando é o rico o infrator, logo surgem as teses psicológicas de desvio comportamental e todos passam a defender o tratamento e a internação. Já tem autoridades com dó da jovem. Ah, mas quando é o pobre, logo aparecem os defensores da pena de morte chamando o infrator de monstro, bandido, pingaiada e etc... E porrada nele! Eis aí os dois Brasis. E há muito tempo já raiou a hipocrisia no nosso horizonte. PS - Magnífico o livro do escritor bauruense Marcelo Carneiro, “O mundo bizarroâ€. No livro o autor mostra a máscara com a qual vive a sociedade. (Pedro Valentim - RG: 19.198.011-0)