Uma das pesquisas da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP) busca alternativas que permitam aos pais detectar o excesso de flúor no organismo da criança antes da formação completa dos dentes permanentes. Se isso for possível, os pais podem modificar os hábitos da criança e prevenir ou interromper a evolução da fluorose.
De acordo com a pesquisadora Marília Buzalaf, os biomarcadores são partes do organismo que podem ser examinadas em laboratório para indicar se o flúor está adequado ou em excesso. Entre os biomarcadores mais comuns ela cita o sangue, a urina e as unhas.
Ao ser ingerido, o flúor é absorvido pelo estômago e intestino, podendo ser identificado no plasma sangüíneo. Algum tempo depois da ingestão, 50% do flúor é eliminado pela urina. Então, outra alternativa é coletar a urina durante 24 horas, avaliar a quantidade de flúor e multiplicar por dois.
“Mais recentemente, tem-se sugerido o uso das unhas. Acabamos de concluir um estudo neste sentido. Nós selecionamos dez crianças entre dois e três anos. Elas usaram creme dental sem flúor por 28 dias, depois usaram creme dental com flúor por mais 28 dias e mais 28 dias sem flúor. Durante oito meses, nós cortamos as unhas de pés e mãos e analisamosâ€, descreve.
Segundo ela, duas semanas depois da ingestão do flúor, já foi possível identificar uma alteração nas unhas, porque o sangue com flúor corre pelo leito da unha, “alimentando-aâ€. A quantidade total de flúor vai aparecer três meses e meio depois, quando aquele pedaço que estava na base da unha chega à ponta.
“Quer dizer que você pode suspeitar de uma ingestão excessiva de flúor duas semanas depois. Esta descoberta é importante porque você não vai precisar tirar o sangue da criança, nem coletar a urina - o que é impossível quando a criança usa fraldas. A unha, os pais têm que cortar sempre e vão jogar fora. Ao invés disso, eles podem mandar para o laboratórioâ€, sugere.