Um estudo realizado pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP) em 1999 mostrou que a quantidade de flúor na água de Bauru era muito variável. Em 89% dos postos de distribuição, a concentração de flúor estava abaixo dos níveis recomendados.
De acordo com a professora Marília Buzalaf, foram coletadas amostras da água em 20 postos de distribuição da cidade três vezes por semana, durante um mês. Neste período, todas as amostras apresentaram oscilações importantes na quantidade de flúor. A concentração mínima encontrada foi de 0,01 miligrama de flúor por litro (mgF/l) e a máxima chegou a 9,35 mgF/l.
“O ideal para nossa cidade - porque a quantidade de flúor varia de acordo com o clima e a média de água que as pessoas consomem - é entre 0,6 e 0,8 mgF/l. Nesta concentração, o cloro é um excelente auxiliar na prevenção das cáries. Porém, a ingestão de 5mg de flúor por quilo de peso pode ser letalâ€, adverte.
Ou seja, se um bebê com peso inferior a dois quilos estivesse sendo alimentado com leite em pó diluído naquela água com 9,35 mgF/l e recebesse mais de um litro daquela água num dia, ele poderia morrer intoxicado. A possibilidade de que isso ocorra é mínima, pois recém-nascidos geralmente são amamentados, mas existe.
No entanto, é preciso salientar que esta concentração alta foi encontrada em apenas uma das amostras, provavelmente ocasionada por um defeito na bomba dosadora. Nas demais amostras, a quantidade de flúor da água estava dentro ou abaixo dos padrões.
Segundo Buzalaf, em 89% das análises, a concentração do produto estava abaixo de 0,8 mgF/l. Em 82% delas, este índice era inferior ao nível mínimo preconizado (0,6 mgF/l).
Segundo o estudo, as causas destas oscilações podem envolver vários fatores, como o tamanho da população, problemas com o produto de flúor usado, variações repentinas na vazão de determinados poços, variações climáticas, desinformação de funcionários e problemas nos equipamentos. Diante das observações, os pesquisadores recomendaram o uso de critérios mais rígidos no monitoramento da água.
A diretora da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Bauru, Gracinda Maia Monteiro, reforça que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) segue todos os critérios de controle estabelecidos pelo Ministério da Saúde, mas lembra que o processo envolve máquinas, que podem falhar apesar da manutenção diária.
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Mineral, filtrada e purificada
Algumas pessoas podem questionar se, diante destas informações, não seria melhor trocar a água fluorada por água mineral, filtrada ou purificada. A pesquisadora Marília Buzalaf defende que não.
“Nosso País é muito grande, tem uma desigualdade social imensa. Para muitas pessoas talvez a água seja a única fonte de flúor e talvez elas nem tenham acesso ao dentista como deveriam. Por isso, a água fluoretada ainda é indispensável no Brasilâ€, garante.
Estatísticas mostram que uma parcela considerável da população trocou a água da torneira pelos galões de água mineral. Na maioria dos casos, porém, a água fluorada ainda é usada para cozinhar os alimentos e as pessoas ingerem outros produtos que contêm flúor, atingindo os índices considerados importantes para a prevenção de cáries.
Questionada sobre o papel dos filtros residenciais e dos purificadores de água, a professora afirma que eles são muito úteis para retirar eventuais partículas de sujeira da água, mas garante que nenhum deles consegue reter o flúor.