Polícia

Internos da Febem se rebelam por quatro horas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A unidade de Bauru da Fundação Para o Bem-Estar do Menor (Febem) registrou sua primeira rebelião ontem à noite. O motim dos 45 internos, que durou quase quatro horas, resultou em quatro funcionários feridos, um deles com gravidade.

Para conter a situação, a Polícia Militar (PM) foi acionada pela diretoria da unidade, por volta das 20h45. Toda a frota da PM foi deslocada para a unidade, que fica no Núcleo Presidente Geisel. Pelo menos 34 policias estiveram no local, além de um grupo do Canil.

A presença do juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, foi solicitada. Ele registrou queixas dos menores referentes à conduta de um funcionário. O servidor teria advertido um garoto que estaria desrespeitando o limite estabelecido aos fumantes, o que teria originado a rebelião.

“As medidas disciplinares que o funcionário ameaçou adotar provocou a revolta, mas conversei com eles (internos) e ninguém apresentou reclamação sobre agressões físicas. Apenas os funcionários ficaram levemente feridos. Um deles, o mais grave, teria sofrido uma rasteira, caiu no chão e sofreu uma fratura no nariz”, explica Maintinguer.

Os internos responsáveis pelos ferimentos vão responder por prática de lesão corporal. O juiz não descartou a possibilidade de transferência, embora tenha garantido que até ontem, por volta da meia-noite, a medida ainda não havia sido cogitada.

“Eles são avaliados a cada seis meses e a ação de hoje será levada em conta. Talvez, se a unidade local contasse só com meninos de Bauru, o problema não tivesse acontecido. Alguns garotos estão inquietos com a possibilidade de transferência para outras unidades, como a de Lins e Avaré, que serão abertas”, conta.

Estragos

A Polícia Militar pôde observar poucos estragos na Febem devido ao motim. De acordo com o comandante da 1ª Cia, capitão Benedito Roberto Meira, apenas parte da padaria, da cozinha e alguns equipamentos de ginástica foram danificados.

Durante a revista, os policias apreenderam barras de ferro, tesouras e estiletes fabricados pelos próprios internos. “Nós viemos preparados para conter, isolar e negociar a rebelião, o que foi feito com sucesso. As celas foram revistadas e os menores também. Agora está tudo calmo”, informa Meira por volta dos primeiros minutos de hoje. A direção da unidade não permitiu a entrada da reportagem.

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