O preço da carne bovina em Bauru aumentou em cerca de 50% neste ano, somando-se à enorme lista de produtos que sofreram reajustes em função do dólar, como o açúcar, a soja e o trigo. A afirmação é do presidente da Associação do Comércio Varejista de Carnes de Bauru, Laurindo Morais de Oliveira. Segundo ele, a arroba do boi, que era cotada a cerca de R$ 42,00 no início do ano, hoje está em R$ 62,00.
Na esteira, sobem também os preços do frango e da carne suína. Na cidade de São Paulo, o Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas anunciou novo aumento de 10% para a carne bovina, o que significa que, até janeiro - mês de retração do consumo do produto - o preço não vai baixar.
De acordo com Oliveira, não há como negociar ou prever preços, como era a prática até agora. Isso porque, segundo ele, o reajuste na arroba do boi é diário e a comunicação via Internet possibilita aumentos quase imediatos ao consumidor. “Queira ou não, o boi é cotado a partir do dólar. E o dólar no valor em que está, todo mundo vai elevar os preços e quem paga por isso é o povoâ€, declara.
Ainda segundo Oliveira, o valor do frango - vedete do Plano Real - também está sofrendo grandes reajustes. No mês de julho, por exemplo, o produto saía por cerca de R$ 1,20 e hoje não sai por menos de R$ 2,20, o que equivale a um aumento de 83% em quatro meses. “O preço do frango também estourou. Isso por conta dos insumos, do milho e de tudo o que se usa para a produçãoâ€, afirma o presidente da associação.
Para a supervisora de vendas Renata Mutro, de um frigorífico da cidade, o preço está estável há cerca de dez dias, mas a promessa até o final do ano é de mais aumento. “Pelo que estou sentindo do mercado, acho que o preço não vai cair, porque o final do ano é uma época de muita procuraâ€, diz.
Na opinião dela, mesmo com o preço alto da carne bovina, muita gente vai preferir um churrasco à tradicional ceia de Natal neste ano, porque as linhas de Natal, como pernil, estão tendo reajustes ainda maiores.
“Está tendo muita procura para o final do ano e não tem o que ofertarâ€, revela Renata a respeito da carne suína. Segundo ela, a arroba do porco já subiu 30% neste ano.
O setor supermercadista também já está sentindo os efeitos das altas nas carnes. De acordo com o gerente de compras de uma rede da cidade, Paulo Sanches, o consumo de carne bovina caiu em torno de 8% no último mês nas unidades do supermercado.
“Está ocorrendo uma queda nas vendas, porque os consumidores estão migrando para produtos mais baratosâ€, avalia Sanches. No entanto, outro aviso: os produtos substitutos, como a salsicha e a lingüiça, também subirão em breve.
De acordo com Sanches, o aumento na carne se deve a uma “cadeia muito grandeâ€, que vai do boi no pasto ao consumidor final. Para ele, a pressão dos consumidores - como no caso do açúcar - poderia amenizar a situação. “O boi é composto de carne de primeira e carne de segunda. Se começa a sobrar a de primeira, não dá para continuar abatendo boi, tem que segurar um pouco tambémâ€, afirma.
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Nutrição
Substituir a carne de primeira por carne de segunda e produtos mais baratos, ou mesmo reduzir o consumo, podem ser alternativas para aliviar o bolso do consumidor dos altos preços da carne, principalmente bovina.
A nutricionista Angela Santiago da Cunha afirma que não há riscos em diminuir o consumo de carne vermelha, desde que haja compensação de nutrientes, como a proteína e a vitamina B12, encontrada apenas em itens de origem animal.
“Existe a hipervitaminose e a deficiência. Isto é, se você não suprir a necessidade diária de carne, pode acarretar anemia. No caso de excesso de vitamina, pode levar a uma reação alérgica, por exemploâ€, explica Angela. Segundo ela, a B12 pode ser encontrada em outras fontes de origem animal, como o leite.
Angela dá uma dica que ela, como consumidora, usa em casa. O bife, por exemplo, pode ser substituído por hambúrguer, que no preparo utiliza 50% de carne e 50% de outros produtos, como farinha. O mesmo ocorre no preparo de quibe ou croquete.
Além disso, diz Angela, a carne de segunda pode ser tão saborosa quanto a de primeira, dependendo da “mão†da dona de casa. “Depende do tempero, do preparo, do jeito de cortar. Não adianta comprar filé mignon e cortar a fibra do lado errado: na hora de colocar na chapa, o bife vai endurecerâ€, observa a nutricionista.