Só depois da aceitação, pelo governo do Iraque, das exigências “da ONU†para inspecionar as instalações alegadamente existentes naquele país, para a produção e armazenagem de armas de destruição em massa, de natureza química, biológica ou nuclear, é que o teor das referidas exigências foi dado a público. É que tal teor é de caráter incrivelmente humilhante, dando a impressão de ter sido formulado para que os iraquianos se recusassem a aceitá-lo. Para não dar outros detalhes, basta mencionar a exigida possibilidade de interrogar, a qualquer momento, sem aviso prévio, dentro ou fora do Iraque, biólogos, engenheiros, cientistas nucleares ou de qualquer outra especialidade, a serem, quando pareça conveniente, transportá-los para fora do seu país, e interrogados na ausência de qualquer autoridade iraquiana.
Para surpresa “da ONU†supomos, o Iraque aceitou as condições, alegando que o fazia para evitar a guerra e a continuação dos sofrimentos do seu povo. Pois bem; a despeito dessa aceitação, nós nos atrevemos a supor que a guerra virá, e terá início de janeiro para fevereiro do próximo ano. E virá o flagelo porque o objetivo “da ONUâ€, não é derrubar um ditador e instalar a “democraciaâ€. É notório que tiranias terríveis, no próprio Oriente Médio, como, para citar um só exemplo, a vigente na Arábia Saudita, contam com a amizade e o apoio dos EUA e “da ONUâ€. No Extremo Oriente, temos a China, cortejada abertamente pelos zelosos “defensores da Democraciaâ€, no Iraque e na América Latina...
Sendo assim, submetemos à reflexão dos que nos honram com a sua leitura, parece claro que estão em jogo, no Iraque, as suas imensas jazidas de petróleo, e a ameaça que ele representa à segurança do Estado de Israel, a força preponderante de cujo “lobby†nos EUA, ninguém ignora. Vivemos, assim, dias de incerteza e apreensão, e o novo governo brasileiro, já manietado pelos compromissos que o “governo brasileiro†ora chegando ao final assumiu com a máquina de domínio mundial, que também já ninguém ignora como algo real e atuante, terá que enfrentar o que o futuro ameaçador nos reserva.
Para que tenha uma idéia o leitor de quanto é incerto e ameaçador o referido futuro, basta citar matéria difundida pela Internet, e que seria resultante de entrevista dada por suposto líder fundamentalista islâmico, segundo o qual, já estão nos EUA 7 bombas atômicas adquiridas de corruptos generais russos quando do desmantelamento da antiga União Soviética, que teriam sido transportadas para onde estariam hoje, muito antes do 11 de Setembro e do terrível atentado então praticado contra as Torres Gêmeas, consideradas símbolo do poder do Mercado.
Ainda segundo a entrevista a que nos estamos referindo - e que pode não passar de guerra psicológica - as citadas bombas irão sendo detonadas uma de cada vez, e apenas até o ponto em que os seus mentores entendam que já conseguiram fazer à economia americana o mesmo que foi feito às Torres. Pode tratar-se apenas de uma mentira, sem dúvida. Por outro lado, porém, não faz sentido claro a hipótese de que os terroristas do 11 de Setembro tivessem feito o que fizeram, supondo que seria o bastante para derrotar o inimigo que abominam e que, evidentemente, é mais do que suficientemente poderoso para ser vencido por aquela única ação, por mais terrível e cruel que ela tenha sido.
Queira Deus estejamos errados e tudo corra pelo melhor. O respeito aos leitores, porém, leva-nos a oferecer às suas reflexões o que acima ficou registrado. (O autor, Jorge Boaventura, é colaborador do JC. E-mail: brasil jorgeboaventura.jor.br)