Economia & Negócios

Para a Apas, empate com o resultado de 2001 salva ano

Gabriel Dias
| Tempo de leitura: 3 min

“Salvar o ano, para nós, hoje, é empatar com 2001”. Com esta afirmação, o novo presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda, define as expectativas do setor para os resultados deste ano, marcado pela explosão do dólar, uma grave recessão e por seguidos aumentos em produtos alimentícios básicos, como o açúcar e a soja.

De acordo com Honda, até outubro os supermercados haviam faturado cerca de 1% a menos que no passado. Um índice pequeno, mas que se torna expressivo se comparado aos números da Apas. Atualmente, a associação reúne cerca de 750 empresas (80% do total no estado), que têm um faturamento anual de R$ 24 bilhões.

Numa rede de supermercados da periferia da cidade de São Paulo, por exemplo, Honda afirma que um levantamento mostra que a demanda por farinha de trigo caiu 20% devido aos altos preços.

Para ele, a “grande força econômica” da Apas pode contribuir para proteger o consumidor, e não simplesmente atacar a indústria. “Nós que recebemos o consumidor todos os dias na loja, certamente não poderíamos ficar quietos diante do nível e da magnitude dos aumentos que vieram”, afirma.

Segundo o presidente da Apas, a associação é responsável, hoje, por 85% do abastecimento de alimentos e produtos de higiene e limpeza para os paulistas, o que torna as empresas “responsáveis” em combater os aumentos, ao passo em que a renda da população não se eleva na mesma proporção. “Não é possível ter repasse de 60%, 70% (nos produtos), quando a reposição salarial tem ficado na média da inflação do ano: 6%, 7%”, declara Honda.

Os reajustes nos itens das prateleiras, como explica o presidente da Apas, não se devem apenas a elevações isoladas. Segundo ele, o problema reside nas matrizes básicas, que acabam influenciando os preços de todos os derivados, como acontece no caso de biscoitos, que se utilizam de açúcar e farinha. “Essas matrizes muito importantes detonam um processo de reação em cadeia nos custos”, observa.

A esperada “salvação” para o setor no final de ano chega com a entrada do 13.º salário e com o alto preço dos importados, o que acaba estimulano o consumo de produtos nacionais. Saem as nozes, o bacalhau e as viagens e entram as frutas nacionais, o churrasco e os brinquedos nacionais. “O Brasil tem muitas alternativas”, ressalta Honda.

Para a Apas, o ano que vem e o futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem ser definidos pelas medidas governamentais do primeiro semestre. A campanha contra a fome é bem-vinda, mas mudanças mais profundas são esperadas com urgência pelos supermercadistas.

“O Brasil não conseguirá sair da situação em que está hoje se não houver uma reforma tributária e uma reforma previdenciária. Reforma política pode vir depois”, afirma Honda. E ressalta: “Nós temos necessidade de uma reforma tributária. É uma necessidade que vem desde o primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).”

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Encontro

Sussumu Honda assumiu seu primeiro mandato na presidência da Associação Paulista de Supermercados (Apas) em setembro deste ano. Honda é proprietário da rede de supermercados Terra Nova, que tem oito unidades na cidade de São Paulo.

Ontem, o empresário esteve em Bauru para se encontrar com associados da regional Bauru da Apas, a primeira das 12 regionais a serem visitadas por ele. “Dentro do nosso planejamento está o fortalecimento das regionais, aumentando sua autonomia”, diz Honda.

Segundo o presidente, a expectativa é angariar associados em, pelo menos, 80% dos municípios paulistas - algo em torno de 750 - para que, no futuro, haja um representante da Apas em cada cidade.

Para Honda, isso poderia se traduzir em maior representatividade política e em suporte técnico aos pequenos empresários, principalmente através da ampliação da Escola Paulista de Supermercados. “Na medida em que você amplia a participação dos empresários do setor, há a necessidade de ter mais suporte, principalmente às pequenas empresas”, declara Honda.

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