Minha mulher sofreu um acidente e ficou duas horas dentro da ambulância, na porta do Pronto-Socorro (PS) Central. Os funcionários alegaram que não havia maca para atendimento. Eu acho isso um absurdo, porque ela poderia ter morrido na porta do atendimento médicoâ€, reclamou o ajudante geral João Dizidoro de Almeida, ontem à tarde.
A diretoria do PS prometeu apurar se as oito macas disponíveis para atendimento estavam mesmo ocupadas ontem à tarde quando Delma de Carvalho de Almeida, 40 anos, mulher de João, chegou para ser atendida na unidade.
Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Felinto dos Santos Neto, o atendimento no PSC está prejudicado por causa da reforma do prédio.
Em função das obras, o PSC foi transferido para uma ala do Pronto-Atendimento Infantil. “Das 14 macas que temos, estamos usando somente oito por causa da reforma. O número de leitos caiu de 15 para 11 porque não temos espaçoâ€, explica o médico.
João contou que sua mulher sofreu um acidente na rodovia Bauru/Ipaussu, próximo de Piratininga, ontem à tarde e foi socorrida por uma ambulância daquela cidade. “Ela estava toda machucada e ficou na ambulância. Não morreu de calor porque eu abri a portaâ€, diz.
Para ele, houve desprezo no atendimento de sua mulher. “Eles não atenderam ela quando a ambulância chegou. Eu acho isso um pouco casoâ€, reclama. Depois de duas horas de espera dentro da ambulância, a paciente foi atendida no PSC e passou a aguardar uma vaga para internação no Hospital de Base.
Interdição
Felinto dos Santos Neto explica que atualmente, devido à reforma, a sala de emergência do PSC tem capacidade para atender somente duas pessoas. “A sala de atendimento do prédio em reforma tem o dobro dessa capacidadeâ€, frisa.
O diretor prometeu apurar a denúncia da espera na ambulância. “Queremos saber se todas as macas estavam ocupadas e se a melhor conduta era aguardar dentro da ambulância. Talvez se o paciente tivesse entrado no PSC e ficado no chão iria ser piorâ€, pondera.
Ele explica que no momento em que a paciente chegou ao atendimento médico, a sala estava ocupada por dois pacientes gravemente feridos. “Os dois foram para a Unidade de Terapia Intensiva. Tivemos que priorizar. O caso da mulher era de emergência e não de urgência. A diferença é que na urgência, o paciente corre risco de vida. Na emergência, nãoâ€, finaliza.
A reforma, que começou em outubro e deve terminar em março, vai aumentar o espaço físico do PSC em cerca de 40%. Também deve adequar a unidade às condições exigidas de higiene e segurança.
Santos Neto já havia informado anteriormente que a ampliação da área física em 40% não vai permitir o aumento no número de pessoas atendidas. “Vamos continuar tendo capacidade para o mesmo número de hoje, só que as condições serão melhoresâ€, explicou ele na ocasião do início das obras.
Em 2001, entre casos de urgência e emergência, graves e de alta complexidade, o PSC realizou 214.896 atendimentos. A média diária foi de 597 pacientes, sendo 382 adultos e 215 crianças.