Bairros

Sem maca, doente fica na porta do PS

Por Rita de Cássia Cornélio | Colaboração Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Minha mulher sofreu um acidente e ficou duas horas dentro da ambulância, na porta do Pronto-Socorro (PS) Central. Os funcionários alegaram que não havia maca para atendimento. Eu acho isso um absurdo, porque ela poderia ter morrido na porta do atendimento médico”, reclamou o ajudante geral João Dizidoro de Almeida, ontem à tarde.

A diretoria do PS prometeu apurar se as oito macas disponíveis para atendimento estavam mesmo ocupadas ontem à tarde quando Delma de Carvalho de Almeida, 40 anos, mulher de João, chegou para ser atendida na unidade.

Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Felinto dos Santos Neto, o atendimento no PSC está prejudicado por causa da reforma do prédio.

Em função das obras, o PSC foi transferido para uma ala do Pronto-Atendimento Infantil. “Das 14 macas que temos, estamos usando somente oito por causa da reforma. O número de leitos caiu de 15 para 11 porque não temos espaço”, explica o médico.

João contou que sua mulher sofreu um acidente na rodovia Bauru/Ipaussu, próximo de Piratininga, ontem à tarde e foi socorrida por uma ambulância daquela cidade. “Ela estava toda machucada e ficou na ambulância. Não morreu de calor porque eu abri a porta”, diz.

Para ele, houve desprezo no atendimento de sua mulher. “Eles não atenderam ela quando a ambulância chegou. Eu acho isso um pouco caso”, reclama. Depois de duas horas de espera dentro da ambulância, a paciente foi atendida no PSC e passou a aguardar uma vaga para internação no Hospital de Base.

Interdição

Felinto dos Santos Neto explica que atualmente, devido à reforma, a sala de emergência do PSC tem capacidade para atender somente duas pessoas. “A sala de atendimento do prédio em reforma tem o dobro dessa capacidade”, frisa.

O diretor prometeu apurar a denúncia da espera na ambulância. “Queremos saber se todas as macas estavam ocupadas e se a melhor conduta era aguardar dentro da ambulância. Talvez se o paciente tivesse entrado no PSC e ficado no chão iria ser pior”, pondera.

Ele explica que no momento em que a paciente chegou ao atendimento médico, a sala estava ocupada por dois pacientes gravemente feridos. “Os dois foram para a Unidade de Terapia Intensiva. Tivemos que priorizar. O caso da mulher era de emergência e não de urgência. A diferença é que na urgência, o paciente corre risco de vida. Na emergência, não”, finaliza.

A reforma, que começou em outubro e deve terminar em março, vai aumentar o espaço físico do PSC em cerca de 40%. Também deve adequar a unidade às condições exigidas de higiene e segurança.

Santos Neto já havia informado anteriormente que a ampliação da área física em 40% não vai permitir o aumento no número de pessoas atendidas. “Vamos continuar tendo capacidade para o mesmo número de hoje, só que as condições serão melhores”, explicou ele na ocasião do início das obras.

Em 2001, entre casos de urgência e emergência, graves e de alta complexidade, o PSC realizou 214.896 atendimentos. A média diária foi de 597 pacientes, sendo 382 adultos e 215 crianças.

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