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Se juro fosse remédio, estaríamos com deflação


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Mais uma vez o Banco Central manteve sua já “cansativa” posição conservadora e elevou a taxa de juros no Brasil: saiu de 21% ao ano para 22% ao ano.

Não espanta pelo aumento, afinal, um ponto não fará grandes estragos, mas sim pela falta de criatividade, e diria, de pró-atividade.

O que observamos é uma orquestração em torno de recuperação de margens de lucro, tendo como pano de fundo a alta do dólar.

Setores, em sua maioria oligopolizados, que amargaram margens apertadas nesses últimos anos, se aproveitaram do “fim de feira” do atual governo e repassaram aos preços tudo o que podiam.

É o chamado “se pegar, pegou”.

A inflação está sendo provocada pelo aumento de custos, portanto, inflação típica de oferta.

Juros altos combatem inflação de demanda.

Como está a atuação do governo junto aos oligopólios? E as tarifas administradas, por que os aumentos não são escalonados? E os estoques reguladores?

Outra coisa é a focalização exagerada (para o momento) nas exportações. Não estamos exportando excedentes e sim sacrificando o mercado interno e isso acaba ocasionando desabastecimento interno.

Não estou preconizando a volta do tabelamento e tampouco o retrocesso de um Estado extremamente interventor, todavia, quando se atinge esse patamar, algo mais concreto que receitas conservadoras deve ser implementado.

Se analisarmos o histórico do controle da inflação no Brasil veremos que saímos, nesses últimos oito anos, da âncora cambial para a âncora monetária e esta prevalece há mais de quatro anos, portanto, se fosse remédio eficaz, estaríamos com deflação.

Essa alta foi um “belo” presente de final de ano, nem tanto pelo percentual, mas sim pela mesmice. (O autor, Reinaldo Cafeo, é mestre em Comunicação, economista e delegado do Corecon - e-mail: cafeo@neobiz.com.br)

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