Foi registrado ontem em Bauru o 28.º estupro do ano. Uma estudante de 14 anos estava voltando da escola para casa sozinha, a pé, aproximadamente à meia-noite, quando foi abordada por um homem armado que arrastou-a para um matagal e estuprou-a.
A menina relatou à polícia que estava próxima a um ponto de ônibus em uma rua do Parque Santa Cândida quando o homem apareceu e violentou-a. Posteriormente, ela acionou a polícia e registrou um boletim de ocorrência no Plantão Policial.
A adolescente recebeu atendimento médico na Maternidade Santa Isabel, onde passou por exame de corpo delito. Ela deve ser ouvida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que investigará o caso.
Este é o segundo estupro registrado neste mês e o 28.º do ano. Na última segunda-feira, uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro na Vila Industrial.
De acordo com o capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da 3.ª Companhia da Polícia Militar (PM), os principais fatores de facilitação do estupro são iluminação precária, terrenos baldios e casas desocupadas ou em construção.
Ele ressalta que andar sozinha, a pé, em locais de pouco movimento também são aspectos que potencializam o eventual estupro. “A mulher tem que ter cautelaâ€, diz.
Na área da 3.ª Cia, os estupros foram registrados em bairros diversos. Não há área de predominância, segundo Venezian.
Já na área da 1.ª Companhia da PM, segundo o capitão Benedito Roberto Meira, neste ano houve registros seguidos na área sul, em especial na Vila Aviação e no Jardim Contorno.
Outra situação que pode ocorrer é o assalto seguido de estupro, que muitas vezes não é premeditado, segundo o capitão.
“Muitas vezes um grupo vai fazer um assalto a uma residência, por exemplo, e um deles acaba praticando o estupro com alguma pessoa da casaâ€, diz. “Não é comum, mas pode acontecerâ€, acrescenta.
Meira explica que o estupro, assim como o atentado violento ao pudor, é crime hediondo cuja pena varia de seis a dez anos de reclusão.
Denúncias
A delegada Rejani Borro Tiritan, titular da DDM, explica que a maior parte dos casos de estupro registrados em Bauru refere-se a abuso de pátrio poder ou presunção de violência. Ou seja, são crimes praticados por pessoas conhecidas.
Em muitos casos, são pais que abusam sexualmente de filhas ou pessoas conhecidas ou da família que estupram menores de 14 anos sem violência física.
“Os estupros praticados nas ruas, por pessoas desconhecidas, são esporádicos se comparados aos outros. Por isso é importante não confiar a guarda de crianças a pessoas que aparentemente são normaisâ€, afirma a delegada.
Rejani enfatiza a importância de denunciar tais crimes. “Silenciar ajuda o agressor a não ser descoberto. Estupro é crime e um dos mais difícieis de apurar. Muitas pessoas não denunciam por sentimento de culpa, vergonha e medoâ€, expõe.
A titular da DDM acredita que o número real de estupros praticados seja maior que os registrados, já que muitas pessoas não denunciam por medo. O telefone para fornecer informações à DDM é o 1380. A ligação é gratuita e a denúncia pode ser anônima.
Outro delito comum, mas que tem sido registrado com menos freqüência na delegacia é a falsa comunicação de crime. Segundo Rejani, muitas adolescentes alegam ter sido estupradas para justificar aos pais ou parentes algumas ações.
Quando a falsa comunicação é praticada por maiores de idade, a pessoa pode ser indiciada. As menores de idade ficam à disposição de decisão da Vara da Infância e da Juventude.
• Serviço
As denúncias de estupro ou atentado violento ao pudor podem ser feitas à DDM através do telefone 1380.