Economia & Negócios

Para analistas, inflação não explodirá

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Economistas consultados pelo Jornal da Cidade têm opiniões um pouco diferentes, na totalidade, sobre o atual cenário de inflação no País, que atingiu a maior alta desde 1996. Contudo, todos são unânimes em dizer que não há perigo iminente de perda de controle sobre o “dragão” e que os índices não devem se agravar muito mais.

Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) e economista Reinaldo Cafeo, a inflação é uma “bolha” que vai passar. Segundo ele, a indústria “se aproveitou” dos momentos de incerteza na época das eleições presidenciais e aumentou os preços, na tentativa de recuperar o represamento que sofreu durante o Plano Real.

“Não há renda que suporte aumentos tão constantes como os que vêm ocorrendo, principalmente nos produtos alimentícios. Os reajustes salariais máximos têm sido de 8% no ano, enquanto alguns produtos subiram até 15%. Quando o poder de compra do trabalhador cai, ele faz substituições e retrai o consumo”, analisa.

Diante disso, o economista avalia que, por mais que haja pressão por parte da indústria em repassar aumentos e recuperar margens de lucro, na outra ponta o setor não encontrará possibilidade de demanda. “Até o final do mandato, o atual governo fará de tudo para segurar a inflação, principalmente agora que a taxa básica de juros subiu de 21% para 22% ao ano”, acrescenta o economista.

Outro fato importante apontado por Cafeo é a queda da moeda norte-americana. “O dólar vem caindo e isso é outro indicativo positivo para o Brasil. Pode ser que os preços não voltem ao patamar de antes, mas devem se estabilizar a partir de agora”, afirma.

O economista Said Yusuf Abu Lawi concorda com Cafeo quando diz que as últimas e expressivas altas ocorreram porque, durante oito anos, o governo reprimiu a demanda. Por outro lado, na avaliação dele há uma grande possibilidade da inflação aumentar durante a troca de governo.

“Até dezembro, acredito que os preços ainda vão subir, porque o empresariado sabe que não há tempo para o atual governo tomar medidas drásticas com o objetivo de impedir isso. Janeiro é um mês morto para a indústria, o que deve fazer com que a maior parte dos empresários aproveite para reajustar preços”, observa.

Para Lawi, durante o primeiro trimestre de 2003 o novo governo federal enfrentará alta considerável da inflação. “Mas se o governo não trocar os pés pelas mãos, esse aumento será totalmente controlável”, ressalta.

Na opinião do economista, para combater a alta da inflação no início do próximo ano o governo não deve “se assustar” com os aumentos de preços, porque serão passageiros. “Uma inflação devidamente controlada não é ruim, porque estimula a economia”, avalia Lawi.

A economista Salete Aparecida Rossini Lara compartilha da opinião de Cafeo, dizendo que a inflação do momento é “uma fase”.

“As empresas estão aproveitando que o atual governo relaxou em função do final do mandato, e subiu os preços. Mas o próximo governo terá que mostrar serviço e, certamente, vai segurar os preços a rédeas curtas”, afirma.

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