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Pensando no tempo...


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Não são somente as observações da opinião pública que consideram que a meteorologia não consegue ser, ainda hoje, uma ciência absolutamente correta, pois se calcula que não chega a 82% a exatidão das previsões dos institutos especializados. Isso, quando feitas 24 horas antes, porquanto, se formuladas há 48 horas, chegam a 75% e, há 72 horas, apenas 60%. Daí, um bocado da incredulidade das populações quando ouvem pela televisão ou pelo rádio, ou, ainda, lêem nas páginas dos jornais, informes sobre os vaticínios. Quase nada acreditam do que apregoam os locutores e desabafam: “Garanto que a previsão anunciada não deverá acontecer!” Aliás, historicamente nem o todo poderoso Napoleão Bonaparte escapou das falsetas meteorológicas, lembrando-se que teve ele, no inverno europeu, o seu pior inimigo, com o que não contava nas suas incursões bélicas e, por isso, teve como conseqüências algumas derrotas espetaculares. Azar demais, não foi corajoso Imperador?

Explicam os estudiosos “que para realizar a previsão o meteorologista precisa conhecer o estado do tempo que esteja ocorrendo em áreas que compreendam, às vezes, vários países ou mesmo um continente”. E acrescentam: “Para satisfazer essa necessidade, as observações são feitas, em intervalos regulares, numa rede de estações que abrange toda a área e são reunidas no que se chama de mapa sinóptico, o qual mostra as condições do tempo assinaladas nas várias estações e servem como ponto básico para que o analista reconstrua as condições climáticas da superfície e dos níveis superiores da atmosfera”. A partir daí será especificado tudo: o tempo, as núvens, o nevoeiro, a geada etc, os quais são associados aos sistemas de pressão, frentes e massas de ar. Exemplo: quando se verifica uma frente na região pode-se prever que nesta área ocorrerá mau tempo, uma vez que, sendo a frente um encontro de duas massas de ar, uma quente e outra fria, tal encontro ocasionará chuvas e trovoadas”.

Reconhece-se que a previsão do tempo tornou-se uma imperiosidade para o homem moderno, principalmente no que tange às atividades profissionais que dependam das condições meteorológicas, entre elas se destacando a agricultura, porque fundamentalmente a umidade relativa do ar - baixa nos meses secos e alta nos dias de chuvas - está diretamente vinculada com as pragas que destróem as colheitas. Há, por isso, cerca de 300 estações meteorológicas no Brasil, metade das quais funcionando 24 horas por dia, fornecendo dados preciosos para a defesa da saúde das populações, assim considerado porque há uma relação direta entre a temperatura e o organismo humano, sabendo-se que o clima afeta não só o estado físico como o psíquico. “Somos muito mais maltratados pelo tempo do que possamos imaginar” - concluem cientistas. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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