Tribuna do Leitor

Santo de casa não faz milagre


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Se os santos de casa não fazem milagres, imagine os de fora. Eu entendo que toda fé é oriunda de duas situações que levam o ser humano a procurar uma igreja: interesse ou ignorância. Quando eu era criança, meus pais me ensinaram a ter fé e, assim, eu cresci rezando terços, onde respondíamos as ladainhas e entoávamos cânticos de louvor à Maria. Em épocas de secas prolongadas fazíamos as novenas para pedir chuvas. Eu achava estranho pedir algo a alguém que não sabíamos onde estava nem como era, já que cada um dos adultos que eu perguntava como era Deus tinha uma explicação diferente. Dependia da época do ano que estávamos vivendo: se fosse no Natal, Deus era um menino recém-nascido; se no período da quaresma, Deus era um homem magro, ensangüentado, carregado pela multidão em longas procissões. Em outros períodos do ano, Deus era um velho de barbas brancas e morava no céu, que para nós, até então, era alguma coisa acima das nuvens. Passou-se o tempo e vieram os livros de história da humanidade, história das religiões, os filósofos europeus dos séculos 18 e 19 e lá se foi minha fé de ignorante. A fé por interesse ainda não chegou, visto que eu não tenho livros, fitas, discos e outros tipos de serviços para vender aos irmãos. Não sou candidato a nada, nem faço parte de esquemas políticos onde a massa seguidora entra como moeda de troca. Três criações do homem/ O fez para sempre escravo/ Três equívocos que o consome:/ Dinheiro, Deus e o Estado! (Lázaro Carneiro - RG 8546715. E-mail: lazarocarneiro@bol.com.br)

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