Economia & Negócios

Varejo é forte e exige respeito, diz Apas

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

“O poder do varejo é muito forte e tem que ser respeitado”. A contundente afirmação é do novo presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda, quando questionado sobre a atual briga entre varejo e indústria e as excessivas altas de produtos ocorridas nos últimos meses, principalmente em itens alimentícios de primeira necessidade.

De acordo com Honda, atualmente o setor supermercadista é responsável por 85% do abastecimento nas áreas de alimentação, higiene e limpeza no estado de São Paulo. Em âmbito nacional, esse índice fica próximo de 80%.

Ele cita que, neste ano, todas as “commodities” tiveram valorização, principalmente após a quebra de safra e de algumas empresas com ações na bolsa de valores de Nova York, como a Enron. Isso levou muitos investidores a apostar em “commodities”, no lugar das ações. As quebras das safras de soja e trigo, por exemplo, levaram a outra valorização. No Brasil, os reflexos foram piores em função da desvalorização do real.

“Recebemos choques em ondas e a indústria não estava conseguindo fazer repasse de preços em nível de consumo, porque não havia demanda. O resultado foram os repasses feitos agora, em grande escala. O que nós criticamos é que esses repasses ocorreram em produtos de cesta básica, como arroz, óleo de soja, açúcar, café e farinha de trigo. Além disso, não ocorreram em níveis de 5% a 10%, que ficariam equiparados com os de reposição salarial. Houve repasses de 40%, 50% e até 70%”, observa.

Para Honda, a indústria precisa saber medir os repasses para evitar uma intervenção do governo. “Somos contra a intervenção porque isso nunca deu certo, acaba desestimulando a produção. Mas para que isso não ocorra, é necessário que os empresários tenham bom senso para que possamos ter uma transição de governo tranqüila”, avalia o presidente da Apas.

Para ele, a força econômica da associação pode contribuir para proteger o consumidor, e não simplesmente atacar a indústria. Nesse sentido, ele incentiva as pessoas a optar pela substituição de produtos das marcas que ocupam posição de liderança no mercado - mais caros - por outros de marcas secundárias e mais baratas.

“Nós, que recebemos o consumidor todos os dias na loja, não poderíamos ficar quietos diante do nível e da magnitude dos aumentos que vieram”, afirma Honda.

Ele explica que os reajustes nos produtos à venda nas gôndolas dos supermercados não se devem apenas a elevações isoladas. O problema, segundo Honda, está nas matrizes básicas, que acabam influenciando os preços de todos os derivados. É o que ocorre, por exemplo, com os biscoitos, que levam açúcar e farinha em sua preparação. Essas matrizes detonam um processo de reação em cadeia nos custos.

Globalização

Sobre o processo de grandes redes adquirindo empresas menores dentro do setor supermercadista - ocorrido no Brasil durante a globalização, culminando entre 1998 e 1999 -, Honda avalia que deve continuar ocorrendo, mas de uma forma mais lenta.

De acordo com ele, nem sempre as grandes redes conseguem suprir hábitos localizados dos consumidores. “Muitas vezes, uma empresa regional consegue desenvolver um trabalho melhor em termos de entender e atender uma determinada comunidade”, analisa.

Honda destaca que o negócio participativo tem sido cada vez mais o alvo em âmbito mundial. “Todos os negócios no mundo caminham nessa direção hoje. As empresas precisam atuar na comunidade e respeitá-la. Não se trata mais de somente buscar o lucro; a empresa tem que retribuir à comunidade”, afirma Honda.

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