A forma como o paciente ingere cada medicamento interfere diretamente no efeito que a substância terá para o organismo. Algumas drogas são melhor absorvidas quando tomadas com leite. Outras, porém, podem perder parte de sua eficácia quando ingeridas com leite.
De acordo com o professor de Farmacologia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Dejair Caetano do Nascimento, não existe regra geral. “Alguns antifúngicos melhoram a absorção quando tomados com leite. Mas, por exemplo, os antibióticos, principalmente as tetraciclinas, devem ser tomados com água, porque o cálcio prejudica a absorção e diminui o efeito do remédio”, comenta.
Ele ressalta que, em primeiro lugar, o paciente deve questionar o médico sobre a forma de tomar o remédio prescrito. Ao adquirir o produto, o farmacêutico deve orientar sobre a forma e horários adequados.
A bula também deve ser lida com atenção, pois sempre descreve o modo de usar. “Agora, se não há informação específica, na dúvida, tome com água. É o melhor líquido para se beber um medicamento”, enfatiza.
Outra observação que Nascimento faz é com relação às pessoas que têm o hábito de quebrar, triturar ou dissolver os comprimidos em água para facilitar a deglutição. Segundo ele, remédios que contêm na caixa as inscrições “retard”, “ação prolongada” ou “AP” não podem ser fragmentados.
“Porque eles são fabricados para desmanchar devagar para prolongar o efeito do medicamento no organismo. Se você quebra, ele vai ser absorvido mais rapidamente e isso pode prejudicar o tratamento. Por isso, esses comprimidos devem ser ingeridos integralmente. Esta designação da caixa deve ser seguida à risca”, explica.
O mesmo acontece com remédios em que há a inscrição “liberação entérica”. São os chamados comprimidos revestidos. Eles têm uma capinha protetora que os mantêm intactos no estômago, ou seja, um material que não se desmancha quando em contato com os ácidos sucos gástricos.
Desta forma, o medicamento vai ser engolido, vai passar pelo processo digestivo e vai chegar inteiro ao intestino. Só então ele deverá se desmanchar e ser absorvidos. “Se você quebra esses medicamentos, eles vão sofrer a ação dos sucos gástricos e vão perder a eficácia”, reforça Nascimento.
Segundo ele, outros comprimidos que não têm essas inscrições na caixa até podem ser quebrados ou dissolvidos antes da ingestão. É o caso dos remédios feitos à base de ácido acetil-salicílico (AAS, Aspirina, Melhoral) ou dipirona. Uma prova irrefutável de que eles podem ser dissolvidos é que a maioria das marcas tem a opção solúvel/efervescente ou em gotas.
Alimentação
Muitas pessoas alegam que precisam quebrar o medicamento ou tomar com leite porque têm dor ou queimação no estômago. Questionado a esse respeito, Nascimento sugere que estas pessoas usem a medicação uma ou duas horas após as refeições principais.
Se estiverem com o estômago muito vazio, podem tomar um chá, comer uma bolacha, um biscoito ou uma torrada, desde que não exagerem. Mas ainda assim, se não houver orientação específica para usar o leite, é melhor tomar com água.
Quanto a comer logo após a ingestão dos remédios, Nascimento afirma que este não é um fator crucial. Ao encher o estômago, o paciente pode causar uma demora maior para o organismo absorver o medicamento. Porém, isto não causa uma interferência tão grande ao ponto de atrapalhar o tratamento e impedir que a pessoa seja curada.
“A menos que a recomendação seja para tomar em jejum. Aí não tem jeito, tem que tomar em jejum mesmo. Alguns medicamentos precisam ser ingeridos com o estômago vazio para facilitar a absorção. Isso torna a passagem do medicamento para o sangue mais rápida, o que é essencial em alguns tratamentos”, afirma.