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Desembargador crê em Justiça ágil

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O desembargador Pedro Luiz Ricardo Gagliardi afirma que, quando tomou posse, efetuou um juramento de que tentaria fazer a Justiça andar mais depressa. Introdutor da informática no Poder Judiciário, em 1975, e autor do texto que instituiu a Lei das Pequenas Causas, Gagliardi acredita que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá trazer avanços nesse campo.

Cerimônia

Na tarde de ontem, em Bauru, foi realizada a cerimônia de sagração do templo da loja maçônica de número 555. A autoridade máxima da Maçonaria em São Paulo, o desembargador Pedro Luiz Ricardo Gagliardi, grão-mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, conta que fez questão de estar presente. Ele veio acompanhado de uma comitiva e do deputado estadual Carlos Braga (PDT).

â€œÉ uma oportunidade muito especial termos vindo a Bauru, que é uma cidade maçonicamente muito ativa, assim como em outros setores da atividade humana”, diz o desembargador. Segundo ele, a loja maçônica foi instalada em tempo recorde - pouco mais de um ano.

De acordo com Gagliardi, a Maçonaria tem um papel político e benemérito muito importante para as comunidades em que estão presentes. “A Maçonaria assume características um pouco especifícas, de acordo com o momento histórico que o país vai vivendo. Por exemplo, se o país vive uma ditadura, a Maçonaria trabalha pela redemocratização”, conta.

O desembargador afirma que, mesmo em países avançados politicamente, a Maçonaria ocupa a função de tentar minimizar a persistência da desigualdade social. “Em países onde a democracia atingiu um nível bastante desenvolvido, como nos EUA, a Maçonaria passa a se dedicar à benemerência”, declara Gagliardi.

“Esse novo grupo que vai assumir o governo tem a possibilidade de simplificar a Justiça, dando a celeridade que todos esperam dela”, declara o desembagador. E completa: “Agora está na hora de mudar as leis, porque com esse sistema legislativo não há quem ande. É como mandar você correr numa estrada que tem valeta de 50 em 50 metros.”

Gagliardi é grão-mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, e esteve ontem em Bauru acompanhado de um grupo de maçons e do deputado estadual Carlos Braga (PTB) para a cerimônia de sagração do templo da loja maçônica de número 555.

De acordo com o desembargador, um dos principais papéis da Maçonaria é trabalhar pela democracia nos países onde está instalada, em busca da liberdade humana. “Temos que instrumentalizar nosso povo a saber exercer os mecanismos políticos de que dispõe”, diz.

Nessa afirmativa se inclui a rapidez dos trabalhos do Judiciário, no qual o desembargador acredita que a “demora custa mais que a qualidade”. Para Gagliardi, a Justiça privada - o Tribunal Arbitral - é outro passo importante para agilizar as pendências judiciais. “A gente ainda está muito preso em fazer justiça no fórum. Se faz um contrato de uma empresa com outra, então, cria uma pessoa para julgar eventual divergência”, aponta.

No aspecto político, Gagliardi afirma que o golpe de março de 1964, que instituiu a ditadura militar no Brasil, prejudicou o desenvolvimento político do País. Para o desembargador, a alternância de poder, como visto na última eleição presidencial brasileira, contribui para dar a “cara do povo” ao governo. “Acho que o povo procurou identidade consigo mesmo”, analisa.

O desembargador observa que, historicamente, o topo vem dando lugar à base da pirâmide social nos governos. As antigas aristocracias foram perdendo lugar, a começar pelos burgueses na Revolução Francesa, em 1789. Para ele, a tendência é que a base da pirâmide tenha cada vez mais representação política.

“O meu voto não vale nada, porque perto da minha casa tem uma favela com dez mil votos, e são eles que vão decidir. Isso mostra essa junção do País com seu eleitorado, com a maioria da população”, explica o desembargador.

Gagliardi é gradudado em sociologia por uma universidade francesa e é pós-graduado por Sorbonne. Ele também se formou em literatura francesa. Pela Universidade de São Paulo, ele se formou em direito e em engenharia de sistemas. Foi delegado e, desde 1970, é juiz de carreira. Paralelamente, lecionou no ginásio e deu aulas de direito e de ciências da computação em faculdades de várias cidades do Estado.

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