Economia & Negócios

Nível de emprego na indústria se mantém estável em outubro

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O nível de emprego industrial na região de Bauru no mês de outubro teve uma variação positiva de 0,61% sobre setembro, o que significa um acréscimo de aproximadamente 97 postos de trabalho. O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, diz que o cenário é de estabilidade, já que todas as variações verificadas durante o ano são muito pequenas.

Na comparação com outubro do ano passado, o resultado de 2001 foi melhor. Naquele mês, a variação sobre setembro foi positiva em 0,80%. Os dados são da diretoria regional do Ciesp, que abrange uma área composta por 17 municípios.

Mesmo com o resultado positivo do mês de outubro, no acumulado do ano o setor registra índice de menos 1,36%, o que representa uma redução de 220 postos de trabalho.

No mês passado e em maio, as variações no nível de emprego industrial também foram positivas sobre os meses imediatamente anteriores. Os resultados foram, respectivamente, de 0,81% e 0,52%. Nos demais meses de 2002, todos os resultados foram negativos, com números variando de menos 0,10% a menos 0,71% (a maior queda - em janeiro e julho).

De acordo com Simonelli, as variações têm sido tão pequenas que indicam um gráfico estável. “Num ano tão difícil para a economia como este, manter índices estáveis é uma coisa vista com bons olhos. Por outro lado, nenhuma variação foi significativa”, observa.

Sem comemorar

O diretor regional do Ciesp afirma que a indústria só poderá efetivamente comemorar resultados quando os índices começarem a ficar na faixa dos 2% positivos durante meses subseqüentes.

“Enquanto não houver variações seqüenciais de, no mínimo, 2% a 3% ao mês, não será significativo para o setor. Quando finalizarmos um ano com resultados assim, a curva do gráfico do nível de emprego na indústria da região mostrará ascendência”, analisa Simonelli.

Segundo ele, os resultados negativos verificados ao longo do ano são reflexo da pouca oferta de crédito, alta da taxa de juros e dólar elevado. “Os preços estão carregando uma pressão inflacionária em todos os setores. A situação só não está sendo pior, em termos de inflação, porque a população não tem renda”, avalia Simonelli.

De acordo com o Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) do Ciesp, o índice total de emprego industrial da diretoria regional em outubro foi influenciado, principalmente, pela variação positiva do setor de Editorial e Gráfica - de 1,16% -, que é um dos setores predominantes na região por número de empregados.

O resultado só não teria sido melhor, segundo análise do Depecon, devido à variação negativa do setor de produtos alimentares - de menos 0,51% -, também predominante na região.

Estrutura enxuta

Para o economista Reinaldo Cafeo, os resultados positivos na variação de emprego por dois meses consecutivos - setembro e outubro - mostram que a indústria está “enxuta”.

“Se ao longo do ano houve sempre variações negativas em relação ao mês anterior, isso quer dizer que, de uma forma gradativa, a indústria foi acomodando sua estrutura dentro do nível de atividade. Então, é natural que se não existe crescimento industrial forte, há demissões, mas também chega um momento em que a estrutura fica tão enxuta que é necessário manter um mínimo plausível de empregados”, observa.

No caso da região de Bauru, o economista avalia que, além desse motivo, existem dois outros fatores que colaboraram para os resultados positivos - embora pequenos - de setembro e outubro. O primeiro é a aproximação do Natal.

“Com isso, começa a aumentar a demanda por parte do comércio. Não está sendo no mesmo volume de anos anteriores, mas o aumento da demanda existe”, diz.

O outro fator é que, com as constantes altas do dólar, as exportações estão sendo mais significativas. “Por isso, é natural que a mão-de-obra tenha sido mantida e até contratada para fazer face a esse crescimento”, analisa Cafeo.

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