Regional

Servidores de Pirajuí entram em greve

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Pirajuí - Os servidores municipais de Pirajuí iniciaram uma greve por tempo indeterminado ontem de manhã como forma de reivindicar entre outros itens, reposição salarial, melhorias na cesta básica e fim do que eles chamam de “perseguição e terrorismo no ambiente de trabalho”. O prefeito Luiz Carlos Serrato (sem partido), através do departamento jurídico da prefeitura, afirmou que se diz ofendido e não aceita negociar com o sindicato da categoria.

De acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), a tentativa de negociação com o prefeito Serrato já vem ocorrendo há alguns meses e foi intensificada nos últimos dias, a partir de quando Serrato teria interrompido as conversações com os sindicalistas e estaria se recusando em recebê-los.

A paralisação, segundo o sindicato, foi a única alternativa que restou aos servidores de Pirajuí, onde o salário-base é de R$ 264,00.

Na parte da manhã, os grevistas, cujo número foi estimado pelo sindicato em aproximadamente 85% dos cerca de 300 servidores, se concentraram na praça em frente à prefeitura e mantiveram plantões nos serviços considerados essenciais.

Após o almoço, alguns servidores voltaram ao trabalho o que deixou sindicalistas e os demais grevistas revoltados. Em passeata, os integrantes do movimento grevista percorreram ruas e setores municipais expondo os motivos da greve e chamando para o movimento.

No final da tarde, o assessor jurídico da prefeitura, Jacson Leão, apresentou uma proposta de Serrato oferecendo a realização de uma reunião administrativa na noite de hoje, entre o prefeito e dois representantes de cada setor. Uma condição imposta pelo prefeito, no entanto, era a não participação do sindicato nas conversações.

Por volta das 16h50 a proposta foi votada em assembléia e os servidores se recusaram a negociar sem a presença do Sinserm. “Ninguém aceita ir para a negociação sem a presença do sindicado”, disse uma das diretoras, Eliane Coti.

De acordo com Leão, a recusa foi vista com surpresa já que entre os integrantes da comissão que o prefeito estaria disposto a receber, seria permitida a presença de duas servidoras que fazem parte do sindicato.

Também em assembléia no final da tarde de ontem, os servidores decidiram pela manutenção da paralisação. “Amanhã (hoje) às 7h30 estaremos aqui novamente”, garantiu a sindicalista.

A reportagem tentou durante a tarde de ontem falar com o prefeito Serrato mas a informação de sua secretária era a de que ele não havia comparecido na prefeitura ontem e estaria viajando numa viagem já definida anteriormente ao início da greve.

Representantes do Sinserm, no entanto, disseram que o prefeito estaria na cidade sim e não queria falar com a categoria. De acordo com Eliane, alguns servidores que retornaram ao trabalho após o almoço estariam sendo pressionados por representantes do prefeito.

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Troca de acusações

O assessor jurídico da prefeitura de Pirajuí, Jacson Leão, afirmou ontem que o prefeito Luiz Carlos Serrato não quer conversar com Sinserm porque “o sindicato está intervindo de forma ofensiva, que só tende a piorar a situação”.

E conversar com todos os servidores de uma só vez, segundo Leão, poderia gerar tumulto, por isso foi feita a proposta de uma reunião apenas entre prefeito e representantes dos servidores.

Ainda segundo Leão, o prefeito está propenso a atender às reivindicações à medida do possível. “Mas a prefeitura está numa fase de pagamento de precatórios que surgiram para serem pagos este ano, precatórios esses que antecedem à administração Serrato, então apertou o caixa da prefeitura. Mas ele quer sentar com os servidores”, explicou o advogado.

Sem ofensas

O advogado do Sinserm, Sandro Fernandes, afirmou ontem que as acusações do prefeito Serrato sobre ofensas que teriam sido feitas pelo sindicato não procedem. “Não há ofensas e sim palavras duras na medida da reação daquilo que ele faz contra os servidores. Ele tem agido com truculência e ameaça aos servidores”, disse.

O advogado do Sinserm disse que a postura do prefeito tem sido uma das reclamações dos trabalhadores municipais “Inclusive, um dos pontos da negociação é cessar esse tipo de postura, de perseguição, de ameaça em cima dos servidores municipais”, disse.

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