A Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras recebeu ontem ofício da atual diretora administrativa da Câmara Municipal, Vera Regina Agnelli, confirmando que não há pedidos formais de aquisição dos softwares Acrobat e Corel Draw e mais o da lente zoom Canon.
Ela também afirma no documento encaminhado à comissão de investigação que não há protocolos de recebimentos dos dois programas e da lente, que teriam sido adquiridos pela Câmara.
No dia 16 de outubro de 2001, a VF Informática vendeu à Câmara os softwares Corel Draw (versão 10 full) e Acrobat (versão 5.0) pelo valor de R$ 1.809,00.
Em dezembro do ano passado, no dia 12, a mesma empresa forneceu uma lente zoom Canon, pela qual o Poder Legislativo desembolsou R$ 2.280,00.
Embora com razão social diferente, a VF Informática, estabelecida em Lençóis Paulista, funciona na mesma loja da Delta Informática, a mesma empresa que teria fornecido o software Autocad 2002 à Câmara, ainda não localizado até hoje nas dependências da Casa.
A constatação do sumiço dos dois softwares e da lente zoom provocou a reconvocação pela CEI do proprietário da Delta Informática, Altair Valvassori, agendada para a próxima terça-feira.
Na terça-feira da semana passada, em depoimento prestado à comissão de investigação, Valvassori afirmou que o fornecimento do software Autocad 2002 foi a única transação comercial efetuada pela sua empresa com o Poder Legislativo.
Além de ter que se explicar sobre essa afirmação - que não procede, segundo o presidente da CEI, vereador Luiz Carlos Valle (PSB) -, o proprietário da Delta Informática - caso compareça para depor - será questionado sobre o fornecimento dos softwares Corel Draw e Acrobat e mais a lente zoom para a máquina de microfilmagem.
Os membros da comissão também definiram em comum acordo reconvocar para novos depoimentos os servidores da Câmara Municipal que trabalham no setor de informática, financeiro e administrativo.
Os nomes dos funcionários que vão prestar esclarecimentos sobre o caso ainda estão em processo de definição, mas eles serão ouvidos na próxima terça-feira, a partir das 9h.
Tonner
A comissão de investigação também recebeu ofício assinado pelas servidoras Soraya Elisa Segatto Ferreira, Margarida Dota e Lucilene Ferreira que pontua considerações sobre a questão dos kits de tonner.
O documento atesta que o setor de microfilmagem recebeu o primeiro kit de tonner no dia 22 de janeiro de 2001. Até então, segundo o ofício, o setor estava desprovido do material.
O segundo cartucho do produto foi instalado na máquina de microfilme no final de novembro do ano passado. E o terceiro - o qual está instalado no equipamento - foi aplicado para operação no final do mês passado.
Na matéria divulgada na edição de ontem do Jornal da Cidade sobre o assunto, o cartucho que aparece na foto está vazio. As servidoras afirmam no documento que não há no setor nenhum kit no estoque.
Levantamento preliminar feito pela Comissão de Fiscalização e Controle do Legislativo aponta que de janeiro de 2001 até março deste ano foram adquiridos 13 cartuchos de tonner. Mas, conforme apontam as servidoras, somente três foram instalados na máquina de microfilmes.
Elas solicitaram aos vereadores membros da comissão de investigação que façam uma vistoria no local para constatar as afirmações contidas no ofício.
A CEI também agendou para a próxima terça-feira o depoimento do proprietário da empresa Bauru Tec, um dos fornecedores de tonner da Câmara Municipal.
Sobre a solicitação do vereador José Clemente Rezende (PSB) - que pediu a convocação dos servidores Irineu de Azevedo Bastos (consultor financeiro) e Cristiane Gonçalves Sacardo Merli (TV Câmara), citados no depoimento do analista de sistema Valdecir de Paula - a comissão decidiu oficiá-los para que se posicionem sobre o assunto.