Economia & Negócios

Compra de material escolar deve ser antecipada neste ano

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Pais que têm filhos pequenos na escola e já começam a receber a lista de material para 2003 devem antecipar as compras ainda para este ano. A orientação vem das próprias papelarias consultadas pela reportagem - três grandes lojas ao todo.

O motivo é que a maioria dos preços ainda não aumentou e as lojas do ramo estão concentrando esforços no objetivo de reduzir margens de lucro para não repassar as altas que já estão sendo aplicadas pelos fornecedores. O único produto que está sendo apontado como “vilão” é o papel, que em seis meses chegou a acumular alta em torno de 40%.

Conforme o estoque das lojas for chegando ao fim e uma nova negociação de compra precisar ser feita com os fabricantes, não será mais possível evitar o repasse de preços ao consumidor.

A compradora de uma das papelarias consultadas, Fernanda Rodrigues de Almeida, diz que as negociações com os fornecedores estão sendo feitas desde setembro. Segundo ela, os aumentos de preços nos itens de material escolar da loja ocorridos ao longo deste ano acompanharam as oscilações do mercado.

“Comparando os preços que temos agora na loja com o mesmo período do ano passado, o aumento apenas acompanhou a inflação. Nas negociações, nós não aceitamos aumentos abusivos dos fornecedores. Mas a partir de janeiro, não é possível saber o que vai acontecer. Então, o ideal para quem tiver condições é fazer as compras de material escolar agora”, orienta.

Pagamentos

Em relação aos planos de pagamento oferecidos por essa papelaria, o consumidor poderá contar com três opções: à vista; uma entrada e cheques para 30 e 60 dias ou no cartão de crédito com parcelamento sem juros. Em janeiro devem ser disponibilizadas outras formas de pagamento.

Na opção à vista, Fernanda diz que para fornecer algum desconto tudo dependerá do valor da compra. “Não estabelecemos nenhum desconto específico porque os preços não estão carregando juros. Mas é possível negociar”, observa.

Em outra papelaria, o proprietário Valmir Aucielli afirma que os preços se mantêm os mesmos do início do ano. “Até dezembro eu não vou mexer nos preços. Mas a partir de janeiro, quando começarmos a fazer reposição de mercadorias, seremos obrigados a repassar as altas que os fornecedores aplicarão para os lojistas. Quem comprar até o final deste ano vai garantir o preço velho”, destaca o comerciante.

Lucro reduzido

Para atingir o objetivo de “segurar” os repasses de preços para atrair o consumidor, Aucielli diz que está reduzindo suas margens de lucro. “Mas isso já vem ocorrendo nos últimos três anos e é a única forma que existe de não assustar o consumidor. Enquanto dá, é preferível reduzir as margens do que perder clientes”, observa.

Segundo Aucielli, o movimento na loja já está aumentando, mas o ápice das vendas deve ocorrer em janeiro. “No último sábado, atendemos 20 pessoas que vieram comprar material com a lista da escola na mão”, acrescenta o comerciante. Nessa papelaria, quem comprar agora poderá pagar com cheque para janeiro, fevereiro e março de 2003.

Em outro estabelecimento, a gerente de vendas Karina Rufino Camargo diz que a linha 2003 de material escolar está com preços entre 10% e 12% mais altos que os lançamentos de 2002.

“Os itens que ainda temos no estoque, referentes às compras que fizemos no final do ano passado, continuam com os mesmos preços. Os que são da linha 2003 estão mais caros. Estamos apertando as margens para não repassar as altas na totalidade”, afirma.

Karina também sugere aos pais que antecipem as compras para aproveitar os preços “antigos”. Nesse estabelecimento, as opções de pagamento oferecidas são à vista, em quatro vezes sem juros no cheque e no cartão de crédito, ou no crediário terceirizado oferecido pela loja, que pode ser dividido em até seis parcelas.

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Como pagar

O economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo Cafeo afirma que a melhor opção para quem tem condições financeiras é pagar à vista. “Não existe nenhum empresário que não esteja disposto a negociar. Quem preferir pagar à vista pode conseguir descontos em torno de 5% a 7%”, observa.

Se essa opção não for adequada ao bolso ou se a negociação não surtir efeito interessante para o comprador parcelar em três vezes sem juros é o ideal, desde que o valor à vista seja justo.

“Além dessas opções, só é indicado o financiamento próprio da loja. É totalmente desaconselhável recorrer a bancos para financiar, porque as taxas de juros cobradas não serão inferiores a 5%. Se parcelar em 12 vezes com essa taxa, o consumidor vai pagar cerca de 40% a mais do que o valor inicial, e não há renda que suporte isso”, destaca o economista.

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