Itapuí - A Polícia Ambiental de Barra Bonita prendeu anteontem à noite, em Itapuí, dois pescadores profissionais que estavam praticando pesca predatória no rio Tietê. Foram apreendidos durante a operação 230 quilos de peixe, da espécie tilápia, 380 metros de rede de pesca, um barco de alumínio, além de um motor de popa e três facas de cozinha. Essa foi a maior apreensão de pesca ilegal já realizada na cidade.
Segundo o sargento Paulo Sérgio Lucas, da Polícia Ambiental de Barra Bonita, a apreensão ocorreu por volta das 19h. Os acusados, Dino César da Silva, de 22 anos, e Geazi Ferreira Lima, de 24 anos, estavam utilizando um método de pesca proibido por lei, conhecido como “pesca de batidaâ€. De acordo com o sargento, através deste método é possível capturar uma grande quantidade de peixes em pouco tempo. “Eles pegam uma rede grande como a que foi apreendida, que tinha 380 metros e, em seguida, fazem um círculo com a rede e colocam a embarcação no centro. Com alguns instrumentos eles começam a bater na água e os peixes que estão dentro daquele círculo se assustam, tentam se evadir, e acabam ficando presos nas malhas da redeâ€, explica o sargento.
De acordo com Lucas, os 230 quilos de peixes foram capturados pelos pescadores em cerca de uma hora. Ele afirma que esse método é aplicado exclusivamente na pesca da tilápia, um peixe que chega a pesar 2 quilos. “Esse método é específico para a pesca da tilápia porque esse é um peixe que não é capturado quando os pescadores armam a rede no rio. A tilápia tem a capacidade de chegar até a rede e retornar, sem que seja capturada.â€
Segundo o sargento, essa prática de pesca ilegal é bastante utilizada na região, mas a fiscalização é dificultada, porque os pescadores encontram meios de despistar a polícia. “No método da batida, é difícil você surpreender os pescadores. Eles vêem que a Polícia Ambiental está se aproximando e já abandonam a rede, se desfazem dos apetrechos para bater na água e saem do local. Então nós não conseguimos realizar o flagranteâ€. Para Lucas, esta apreensão só foi possível porque a polícia contou com denúncias da população, o que facilitou o planejamento da abordagem.
O sargento afirma que os acusados já estavam acampados na margem do rio há cerca de 15 dias. “Como eles são pescadores profissionais, eles ficam acampados na margem do rio. Eles estavam capturando cerca de 300, 500 quilos por dia, cada pescadorâ€. Os acusados, segundo o sargento, são cadastrados no Ministério da Agricultura e registrados como pescadores profissionais.
Apesar das dificuldades, o sargento ressalta que a Polícia Ambiental realiza freqüentemente fiscalizações, com o objetivo de coibir essa prática. “A quantidade de tilápia no Tietê é muito grande. Aqui na região a pesca através desse método está sendo quase que constante. Então nós estamos realizando fiscalização constantementeâ€.
Os acusados foram presos em flagrante e encaminhados a Cadeia Pública de Jaú. Segundo o delegado Antônio Franceschini, responsável pela delegacia de Itapuí e Boracéia, os pescadores vão responder por crime contra o meio ambiente, artigos 34,35 e 36 da Lei 9.605/98. O crime é inafiançável e a pena prevista vai de um a cinco anos de reclusão. Os peixes foram doados para instituições de caridade da cidade, após um médico veterinário avaliar as condições de consumo.
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Esquema profissional
De acordo com o delegado, os acusados são do Ceará e compõem um grupo de cerca de 15 pescadores que vêm atuando há cerca de 7 meses em cidades da região. “Semanalmente, esse grupo retira do rio (Tietê) aproximadamente uns 5 mil quilos de peixes. Eles trabalham com seis barcos e seis motoresâ€.
Segundo Fransceschini, as tilápias pescadas por esse grupo e por outros pescadores que atuam na região de Santa Maria da Serra, são transportadas em um caminhão frigorífico até Fortaleza, onde são comercializadas. O delegado acredita que eles têm utilizado com freqüência esse método de pesca predatória, devido a grande quantidade de peixes que têm sido retirada do rio por semana. “Eles varrem o rio Tietê. Eles estão depredando o meio ambiente.â€
Assim como o sargento Lucas, o delegado concorda que, apesar de todo o esforço da polícia, é difícil coibir essa prática. “Quando vem a Polícia Ambiental, eles (os pescadores) escondem os instrumentos, jogam dentro d’água, então a polícia não consegue realizar o flagranteâ€.