Nem sempre se vislumbram facilmente nas livrarias em geral coletâneas exclusivamente de sonetos, de autoria dos principais vates de ontem e de hoje, e, por isso, perdem-se oportunidades de ouro de se colocar nas estantes domésticas volumes reprodutores desse delicioso tipo de literatura. A referência se destina diretamente aos sonetos legítimos e não a simples versos, tradicionalmente absorvidos pela curiosidade dos amantes da safra literária genérica, com estocagem algo dirigida pelos editores e vendedores. Seria de impor-se, então, por suma importância, que, para solucionar-se o problema, muitas coleções de sonetilhos, com a multiplicidade de temas que possuem, invadissem bem mais a seara livreira, a fim de que quantitativamente viessem a ser encontradas pelo grande público, incentivado pelos frutos da inspiração divina dos grandes vultos poéticos que o País já teve e ainda tem.
O bauruense, sonetista dos bons, Antônio Rufatto, teve há pouco a plausível idéia de editar uma antologia do gênero, com 64 peças, as melhores da língua portuguesa, e nos presenteou com um exemplar, pelo que justificou: “Dedico-lhe esta coletânea porque reconheço em você um grande adepto do soneto, ou seja, da boa literaturaâ€. Santo Deus, foi para o jornalista uma emoção extraordinária a oportunidade que o amigo lhe deu de ter em mãos o volume, de feição gráfica também bonita, e poder relembrar então quase 70 obras primorosas, de autoria de mestres do romantismo, equivalentes a Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela, assim como do parnasianismo de Olavo Bilac, Raimundo Correia e Mário de Andrade, além de muitos outros da tendência de Menotti del Picchia, Olegário Mariano, Machado de Assis, Vinícius de Moraes, Augusto dos Anjos, Therezinha Dieguez Brisolla, Paulo Bonfim, Belmiro Braga, Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Vicente de Carvalho, Castro Alves, Alvarenga Peixoto e dezenas de tantos mais que Rufatto teve a ventura de descobrir nas prateleiras de sua biblioteca e reproduzir, tipograficamente, na melhor íntegra, no interessante folheto, que serve magnificamente para agito da memória de quantos já os esqueceram e dos que nunca os conheceram. Porém, a coletânea traz também, valorizando-se mais ainda, o encanto de 24 inspirações do próprio sonetista, com as quais completa ele a sua ótima iniciativa, na defesa do tão insinuante sistema de versos, dos quais explica: “Não é o soneto uma simples gaiola repressiva de 14 versos. É, sim, uma gaiola de 14 versos que nos dá total liberdade de expressão, aliando a arte à musicalidade com versos de maviosidade e singeleza!†Muito bem, Rufatto! Gostamos! Obrigado por tão precioso presente natalino. Papai Noel gostaria de ganhá-lo também... Ele vem aí! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)