Cultura

Sobrevivente do Carandiru

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

O escritor e poeta Osvaldo Arevalo, conhecido pelo apelido de Poeta Spanhol, devido à origem ibérica dos pais, detento da Penitenciária “Dr. Eduardo de Oliveira Vianna”, a P2, lança amanhã, às 9h, o seu segundo livro “Carandiru - Eu Estive Lá”. Sua primeira obra publicada foi “Paredes que Choram”, em abril último.

O novo livro, que será vendido na livraria Jalovi, é um relato das duas passagens de Arevalo pela Casa Detenção do Carandiru, na Capital, que foi desativada este ano. Preso desde 1980 depois uma série de assaltos em São Paulo, onde nasceu, o escritor que está preso há 23 anos, esteve lá entre os anos de 80 e 81 e depois entre 95 e 96.

“Foram duas fases completamente diferentes”, diz o autor, que relata o seu dia-a-dia no presídio sem poupar o leitor de toda a violência que acorria na “selva de pedra” do Carandiru. A comparação com o best-seller de Drauzio Varella, “Estação Carandiru” é evitada logo de cara. “Ele ‘floreou’ o livro, o que a gente ‘aqui de dentro’ não gostou”, afirma, revelando que conheceu o médico-escritor na prisão a quem contou muitas histórias que foram parar na obra campeã de vendas.

Ainda durante o Governo militar, na primeira vez em que esteve na “CD” (como ele se refere à casa de detenção) Arevalo conta que a “abertura” para os presos era muito pequena. “Não havia visita íntima, por exemplo”. Ao mesmo tempo, o presídio tinha uma infra-estrutura melhor.

A segunda passagem, na década de 90, revelou um local em plena degradação, com presos viciados em crack se drogando livremente em instalações precárias. “Aquilo era o inferno, ou pior que inferno”, avalia.

Pai de dois filhos, avô de três netos, aos 52 anos Arevalo decidiu escrever o livro como um alerta para a juventude. “Existem jovens que acham que a deliqüência vai levar a algum lugar, que é uma vida fácil, mas é o contrário. Quando se torna um delinqüente ele coloca sua vida em jogo”, define.

Projetos

Escritor desde 1987, Arevalo só conseguiu publicar seu primeiro livro graças aos contatos que fez por carta com a editora carioca Anna Salles, que assina o prefácio do livro.

De acordo com o diretor de reabilitação da P2, Plínio Martins Moreira, a participação dela foi fundamental para o poeta. “Ele foi muito perseverante, trabalhando mesmo sem ter certeza de iria conseguir publicar suas obras. A chegada da Anna foi decisiva, hoje ele poderia sobreviver apenas da literatura”, diz.

Arevalo já tem mais dois livros em projeto, um de poesias, como o primeiro e outro com mais relatos do cárcere, do qual deve se ver livre daqui há sete anos.

• Serviço

Lançamento do livro “Carandiru - Eu Estive Lá”, de Osvaldo Arevalo, o Poeta Spanhol. Amanhã, às 9h, na P2. Em Bauru o livro poderá ser encontrado na Jalovi.

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