Pesca & Lazer

Anavilhanas encanta pescadores

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

O fascínio pelo arquipélago de Anavilhanas se explica com facilidade. Além da beleza natural, a região distante é quase intocada pelo homem, o que garante um cenário singular.

Anavilhanas é o maior arquipélago fluvial do mundo, com 400 ilhas coberta de mata virgem, com centenas de lagos, igapós e igarapés. Localizado a 100 Km de Manaus, no município de Novo Airão, no rio Negro, Anavilhanas é um verdadeiro labirinto nas águas, o que exige conhecimento e malícia dos navegadores.

Cheio de desejo por uma boa pescaria - o que não significa quantidade de peixe capturado -, o grupo Bodega seguiu, mais uma vez, para o Estado do Amazonas. Desta vez, dos dez pescadores comprometidos com a viagem, José Carlos Casarin e Francisco Camolesi não puderam seguir. Diante disso, partiram de Bauru oito aventureiros: José Antônio Biancofiore, Nelson Reginato (Pipo), Nelson Picado, Moacir Pita, Eduardo Pegoraro (Dedão), Ricardo Coube, Guilherme Puppo e Rubel Koch, este último, marinheiro de primeira viagem.

Há três anos o grupo Bodega é administrado por Biancofiore, que elabora todos os contratos, faz orçamentos, prepara o roteiro, as locações, reservas e, principalmente, as cobranças, que são depositadas religiosamente durante 12 meses que antecedem a viagem. “Até elaborei uma lista de equipamentos e dicas de pesca”, comenta o pescador.

Tudo preparado, o Bodega segue para Anavilhanas - microônibus Prata até São Paulo e vôo Varig com destino a Manaus. Lá, embarcam no barco Vitória Amazônica, que oferece todo o conforto para o pescador. O local de pesca já estava definido e o grupo seguiu em busca de grandes exemplares.

A bacia dos tucunarés gigantes também acolhe outras espécies esportivas, que atraem os pescadores. Pirarara, aruanã, apapá, bicuda, cachorra, tambaqui e barbado, além, é claro, do famoso pirarucu, o maior peixe de escama de nossas águas. Apesar de não ser uma espécie esportiva, o pirarucu é muito consumido e comercializado pelos moradores locais.

Na saída das voadeiras (pequenos barcos que levam os pescadores), o grupo dividiu-se em três embarcações: Bianco, Pipo e Rubel, conduzidos pelo piloteiro Edi Carlos; Moacir, Picado e Dedão, com o piloteiro Daniel; e Ricardo e Guilherme, orientados por Vítor, que também é comandante do Vitória Amazônica.

No período de 19 a 26 de outubro, eles puderam aproveitar testar uma grande variedade de iscas artificiais com sucesso. As horas de emoção só foram interrompidas pela chuva, que surpreendeu o grupo em vários momentos. “Este ano pegamos alguns dias de chuva, o que reduziu a pescaria, mas o visual é fantástico”, comenta Biancofiore.

Quando o tempo fecha, as voadeiras encostam nas praias de areia, que são formadas nesse período em que o rio está baixo, e só depois retornam à “nave-mãe”. Entre uma pescaria e um dia de chuva, o grupo Bodega se refugiava no Vitória Amazônica, onde saboreavam um pescado. As cozinheiras Rosângela e Beatriz preparam iscas de pirarucu (especialidade da região), caldinho, peixe assado, enfim, um cardápio variado.

“O atendimento é fantástico. Sempre pegamos o mesmo barco com a mesma tripulação, pois já existe um entrosamento. Não há problemas”, fala o pescador.

Em um dos dias de pesca, o grupo optou em fazer o tradicional campeonato, que iria colocar em “julgamento” a habilidade dos pescadores. Além de muitas brincadeiras, o dia rendeu uma boa pescaria.

Em primeiro lugar ficou a voadeira do Moacir Pitta, auxiliado pelo Dedão e Picado. Eles fisgaram um tucanaré de 5 quilos e uma linda pirarara de 16 quilos. Em segundo ficou a voadeira do Bianco, auxiliado pelo Pipo e Rubel com um aruanã de 0,90 cm pesando 3 quilos, além de três tucanarés médios. Em terceiro, talvez pela defasagem de um pescador, a voadeira do Ricardo, auxiliado pelo Guilherme, que pegou dois tucanarés pequenos.

Depois dos dias de pesca e chuva, que contaram também com vara quebrada, brigas de peixe, festa de aniversário e até um olhar distante para o Ariaú Amazon Towers, hotel que estava fechado para filmagens de um grupo norte-americano, segundo comentou Biancofiore, o Bodega retornou a Bauru. Agora, é tempo de iniciar a nova “caixinha” para a próxima pescaria. O destino já está escolhido: novamente o rio Negro, em Anavilhanas.

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Dicas do Bianco

• Varas Se for levar apenas uma, opte pela de 6 pés de comprimento, ação rápida, categoria pesada, indicada para linhas entre 10 a 25 lb com cabo para duas mãos. Se puder levar mais, ótimo. Uma vara mais leve de 5 pés e 6 polegadas, ação rápida, para linhas até 17 lb.

• Carretilhas x molinetes Não precisam ser enormes. Nada de guinchar o peixe. Tucunaré se pesca com 80 metros de linha. Se você arremessar 40m, ainda terá 40 metros para brigar com ele. Chronarch 100; Antares versão 2; Metanium da Shimano e Tem Daiwa-X 103HV estão entre as carretilhas de perfil baixo preferidas. Daiwa millionaire CV-Z 253/253L; Calcuta Conquest 200/201 da Shimano; Abu Garcia 4600C3 e 5500C3 e Odissey 100SX da Fleming destacam-se entre as redondas.

• Linhas Entre as nacionais, a Mazzaferro com a Number 1 e Araty Diamond. Entre as importadas, a Berkley XT Solar; Triumph e Super Raiglon. A resistência delas fica entre 16 a 25 lbs. Como líder, dois diâmetros. Um de 0,57mm e outro de 0,70mm da marca Super Raiglon são os mais usados. Entre os multifilamentos, está a Power Pro de Spectra, talvez pela sua cor esverdeada que a torna menos visível que as concorrentes.

• Tralhas de pesca

- 2 varas leves (20/25 lb - 5.6 ou 6 pés) grafite ou similar (c/ molinete 4000 ou carretilha)

- 1 vara pesada p 60/80 lbs - opcional

- 1 alicate pega-peixe

- 1 alicate de bico p/ remover a garatéia do peixe

- 1 alicate de corte 1 cortador de unha Trim

- Anzóis 7/0 1 10/0

- 300m linha 20/25 lbs de boa qualidade

- 200m de linha 60 ou 80mm

- Snaps reforçados

- Tubo p/ transportes de varas

- 1 faca pequena ou canivete

- Iscas artificiais c/ garatéias 4 X

• Importante!

Na aquisição do material de pesca, informe-se com pescadores mais experientes.

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