A Cúria da Igreja Católica deve ser acionada judicialmente pelo artista plástico Vicente Pantaleão, que teve uma obra sua suprimida da capela São Brás, instalada no Núcleo Edson Bastos Gasparini, há cerca de três meses. Uma ação de reparação de danos morais e provavelmente uma de ressarcimento estão sendo elaboradas por um advogado já ajustado pelo artista.
“A decisão do atual pároco, monsenhor Almir José Cogiola, de passar tinta sobre o trabalho que desenvolvi me ofendeu e me prejudicou profissionalmente. Estou até sofrendo um bloqueio para desenvolver novas obrasâ€, conta Pantaleão.
Em 2000, ele pintou a imagem de Jesus Cristo no altar da capela. Para fazer o trabalho, que foi doado e posteriormente abençoado pelo então bispo de Bauru dom Aloysio Leal Pena, o artista despendeu 20 dias e arcou com os custos do material utilizado.
“Nem todos gostaram da obra porque o traçado é diferente, mas a atitude foi desrespeitosa. Acho que o objetivo foi o de apagar qualquer lembrança do antigo pároco da capela Antonio Carlos da Silva, que era progressista. Tanto que suprimiram a pintura à noite, sem o conhecimento da comunidade, para quem a obra foi feitaâ€, conta.
Desprestigiado, há um mês o artista registrou um Boletim de Ocorrência de comunicação de fato.
Um paroquiano, que não quis se identificar, considerou indelicada a atitude do monsenhor. Para ele, Pantaleão deveria ter sido consultado sobre a iniciativa.
“Obra de arte tem de ser respeitada. Também acho que a saída do padre Antonio tem relação com o problema envolvendo Pantaleão, embora a Igreja Católica tenha alegado oficialmente que ele não poderia assumir a paróquia porque é de outro municípioâ€, diz.
Crucifixo
Porém, monsenhor Almir Cogiola informa ter autorizado a pintura sobre a obra porque ela não fazia menção à crucificação de Jesus Cristo, conforme indica a liturgia da missa. “Não sabia quem era o autor, por isso não o chamei aqui. A pintura não estava assinada. Além disso, apenas acatei uma solicitação da comunidadeâ€, alega.
O monsenhor confirmou que o afastamento do padre Antonio se deveu ao fato dele ser de Jacarezinho, já que a Diocese de Bauru não autoriza que estudantes de fora assumam paróquias. O ex-pároco da capela São Brás estuda no município. “Estamos dando continuidade ao trabalho do padre Antonioâ€, garante Cogiola.
Para um outro fiel, que também não quis se identificar e integra o Conselho Pastoral Paroquial (CPP), apenas entidades de reconhecimento nacional ou internacional poderiam confirmar se o trabalho desenvolvido por Pantaleão é ou não uma obra artística.
“Outros trabalhos dele foram mantidos na capela. A decisão foi tomada porque queríamos que o crucifixo voltasse para seu lugar antigo, que é o símbolo da grande obra de amor de Deus. Não quisemos provocar ninguémâ€, conclui.
O bispo dom Luiz Antonio Guedes foi procurado, mas não retornou às ligações do jornal.